Primeira Página
Sábado, 23 de Junho de 2012, 14h:33
A
A
ANÁLISE/CUIABÁ
Pleito com 4 forças; atenção fica em Taques
De acordo com cientistas políticos, tática de Mauro Mendes está correta, mas postura de PR, PMDB e PTB é bastante criticada
RENATA NEVES
Da Reportagem
A disputa à prefeitura de Cuiabá irá se polarizar em quatro blocos fortes e, embora não seja candidato, o senador Pedro Taques (PDT) será uma das pessoas mais observadas no período da eleição. Essas são as conclusões dos cientistas políticos João Edisom de Souza e Alfredo da Motta Menezes, respectivamente, ao avaliarem o cenário que se desenha para a eleição deste ano. João Edisom acredita que os quatro blocos serão formados em torno das candidaturas do empresário Mauro Mendes (PSB), do deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB), do ex-secretário municipal de Governo e Comunicação, Carlos Brito (PSD), e do vereador Lúdio Cabral (PT). Os partidos pequenos que lançarem candidatos, por sua vez, se somarão em um quinto bloco. No exemplo encaixa-se o Psol, que tem como candidato Mauro César Lara de Barros, o procurador Mauro. Em relação aos possíveis candidatos a vice-prefeito e à formação definitiva de alianças, o cientista político diz que o cenário ainda está bastante confuso. "Alguns partidos estão leiloando sua participação na eleição e travando uma disputa violenta para indicar o vice". De forma mais pontual, Edisom critica as posturas adotadas pelo PMDB, PR e PTB. Segundo ele, os partidos estão rachados porque seus respectivos "caciques" estariam defendendo interesses próprios. "No PTB, por exemplo, uma parte dos filiados quer apoiar o Maluf e outros o Brito. Da forma como a 'coisa' foi definida, o partido corre o risco até de ficar sem cadeiras na Câmara de Vereadores". O cientista também alerta para a importância de a população prestar atenção nas movimentações políticas atuais, pois, em sua avaliação, se for eleito um candidato que visa trabalhar por interesses particulares, somente ele será promovido, enquanto a cidade sucumbirá. "Esse é o melhor momento para o eleitor prestar atenção e decidir seu voto, e não na campanha em si, onde tem muita maquiagem e marketing. Lá, cada um vai vender seu peixe da forma como quer. Agora não. É acompanhando o processo que se verifica o caráter verdadeiro de cada candidato". Para Alfredo da Motta Menezes, a atenção da população está voltada para as movimentações realizadas pelo senador Pedro Taques. "Todos querem ver como ele vai se sair nesse primeiro teste". A situação indefinida do PDT direciona ainda mais os olhares a Taques. Membro do Movimento Mato Grosso Muito Mais, o partido havia firmado compromisso em apoiar Mauro Mendes. No entanto, o fato de o empresário ter aberto conversações com o PR e o PMDB desagradou Taques, que já não sabe mais se caminhará ao lado do socialista. "Como ele é provável candidato ao governo em 2014, o que o pessoal está observando é se ele e o PDT vão ficar isolados na eleição da Capital. Se isso ocorrer, a oposição vai carimbá-lo de inábil e radical". Segundo o cientista, se o PDT aceitar caminhar ao lado do PMDB, o senador perderá seu discurso. Se apoiar Mauro Mendes, por outro lado, pode estar ajudando a eleger seu adversário em 2014. "Diante desses riscos, como ele irá se posicionar?". Outra situação que ainda precisa ser definida é referente à indicação do candidato a vice na chapa encabeçada por Mendes. Na opinião de Alfredo, o empresário irá optar por uma coligação com o PR. Entretanto, o indicado ainda é uma incógnita. "Será o João Malheiros ou o Francisco Vuolo? Se for o Malheiros, beneficia o deputado Emanuel Pinheiro, que será efetivado na Assembleia Legislativa. Porém, o senador Blairo Maggi defende o nome do Vuolo e o Mauro não vai querer desentendimento com o Blairo". Ao contrário de muitos, Alfredo não avalia como negativa a suposta estratégia adotada por Mendes de disputar candidatura a prefeito para viabilizar seu nome para o governo do Estado na eleição de 2014. "Dante de Oliveira elegeu-se prefeito de Cuiabá e deixou a prefeitura para disputar o governo. Foi eleito e ninguém disse nada. José Serra fez a mesma coisa em São Paulo. Venceu o pleito e ninguém disse nada. Antônio Palloci candidatou-se a prefeito de Ribeirão Preto, registrou em cartório compromisso de permanecer quatro anos no cargo, depois foi ser ministro e ninguém disse nada. Criticam o ex-prefeito Wilson Santos porque ele perdeu a disputa. Se tivesse ganho, talvez a reação da população tivesse sido outra".