O deputado estadual Márcio Pandolfi (PDT) acredita que a mão do governo impediu a implantação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostos desvios na aplicação dos recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab). Apesar disso, ele aposta na pressão da base eleitoral dos parlamentares. Pandolfi tem pedido apoio de entidades como a Aprosoja, a Famato e Ampa. Se essas entidades vierem falar com os deputados pode haver mudanças. Elas têm forte influência, avalia. O pedetista sustenta que o governo arrecada de R$ 600 milhões a R$ 700 milhões por ano com o Fethab, totalizando cerca de R$ 2,5 bilhões ao longo dos quatro anos do governo Silval Barbosa (PMDB). Tirando 30% para as obras da Copa, sobra cerca de R$ 850 milhões para as estradas e a mesma quantia para a habitação. Pelo preço médio de 40 mil por casa popular, daria para construir cinco mil unidades por ano. O governo não fez nem mil até agora, critica. Quanto à malha viária, Pandolfi aponta que o recurso seria suficiente para 1,7 mil quilômetros de estradas por ano. Isso com base em um custo de R$ 500 por quilômetro e uma parceria com municípios e produtores. Para o deputado, está claro que, no mínimo, há desvio de finalidade do fundo. A CPI, segundo ele, poderia constatar até mesmo desvios. O dinheiro está entrando e não estão sendo feitas as obras. O governo fez um empréstimo de R$ 250 milhões para manutenção das estradas e o dinheiro do fundo não está sendo usado para este fim, afirma o parlamentar.