Partido dos Trabalhadores alegou à época confusão contábil e também atribuiu responsabilidade à direção nacional da agremiação
RAFAEL COSTA
Especial para o Diário
O deputado estadual Alexandre Cesar (PT) será interrogado amanhã na 1ª Zona Eleitoral de Cuiabá por conta da acusação feita pelo Ministério Público Estadual (MPE) de omissão de informações na prestação de contas da campanha eleitoral para prefeito de Cuiabá, em 2004. Na época, o petista declarou à Justiça dívidas de campanha no valor de R$ 964 mil, mas o valor cobrado pelos credores atingia R$ 3 milhões. Deputado estadual e procurador do Estado licenciado, Alexandre é acusado pelo MPE de prestação de contas falsas referentes aos dois turnos disputados contra o atual prefeito e candidato à reeleição Wilson Santos (PSDB). Alexandre, que no pleito de 2006 ficou na primeira suplência de deputado estadual, ocupa desde o ano passado a vaga aberta com a licença do titular Ságuas Moraes, atual secretário de Estado de Educação. Em declarações anteriores, o parlamentar alegou que a diferença de valores se deu por orientação da direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), que prometeu assumir o prejuízo. Também já afirmou que as dívidas foram assumidas pelo estadual, apesar dos credores terem recorrido ao Judiciário na tentativa de receber do próprio candidato por serviços da campanha. A acusação pode resultar em pena de reclusão de até cinco anos e perda dos direitos políticos. A denúncia surgiu logo após as eleições de 2004 e na ocasião ficou conhecida como o escândalo do caixa 2. Alexandre já declarou que não houve prática de crime eleitoral e alega que os valores foram registrados pela contabilidade do Diretório Estadual, então presidido pelo candidato. As informações não teriam sido encaminhadas à Justiça devido a uma desordem contábil. A oitiva, que será feita na sala de audiência da 1º ZE de Cuiabá, obedece ao cumprimento da Carta de Ordem nº 307/2008/SJ, determinada pelo desembargador Manoel Ornelhas de Almeida, relator do processo. As dívidas de campanha da eleição de 2004 ainda são um assunto polêmico no Partido dos Trabalhadores. Após a gestão de Alexandre Cesar, a sigla foi presidida no âmbito estadual pela senadora Serys Slhessarenko (PT). Enquanto esteve à frente do diretório, ela só reconheceu as dívidas apresentadas como oficiais. Com o diretório estadual comandado pelo grupo também integrado por Alexandre, presidido agora pelo deputado federal Carlos Abicalil, o assunto da dívida tem a mesma alegação feita à época por Alexandre.