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Terça-feira, 02 de Março de 2010, 21h:47

Juízes mantêm esperança de retornar à carreira

Os 10 magistrados de Mato Grosso ainda têm esperança de voltar aos seus postos e se declaram inocentes. O CNJ puniu com a aposentadoria, por receberem benefícios irregulares e ajudarem uma cooperativa de crédito ligada à maçonaria, três desembargadores e sete juízes. Eles prepararam recurso para tentar reverter a decisão. Além de Travassos, também foram punidos os desembargadores José Ferreira Leite e Tadeu Cury; e os juízes os juízes Marcelo de Souza Barros, Marcos Aurélio dos Reis Ferreira, Antônio Horácio da Silva Neto, Irênio Lima Fernandes, Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, Graciema Ribeiro de Caravellas e Maria Cristina Oliveira Simões. Os pagamentos foram feitos na gestão de Ferreira Leite à frente do Tribunal, mesma época em que ele era o grã-mestre da loja maçônica Grande Oriente. A juíza aposentada Maria Cristina afirma que quer voltar para seu posto para resgatar a dignidade. “Eu entrei pela porta da frente e quero sair pelo mesmo lugar, com a cabeça erguida. Tem sido dias muito difíceis, porque eu sempre coloquei meu trabalho em primeiro lugar. Mas agora estou buscando força divina e da minha família”, conta. Ela emprestou dinheiro para os juízes Marcelo Barros e Antônio Horácio, que, segundo ela, pediram o dinheiro pela relação de amizade. Ela revela, porém, que se soubesse que o dinheiro se destinaria à Maçonaria não teria motivos para emprestar. “Só fiquei sabendo que estava emprestando dinheiro para a Maçonaria quando assinei um recibo confirmando que tinha recebido de volta todo dinheiro que tinha emprestado”, afirmou a juíza aposentada. Assim como Maria Cristina, Juanita Cruz da Silva Clait Duarte e Graciema Ribeiro de Caravellas também foram rotuladas como “laranjas” pelo relatório do CNJ. Graciema também relata que está analisando o processo do CNJ e estudando qual será a melhor ação. Ela também se declara inocente e classifica como uma “punição dura” a decisão do CNJ. “Não questionaram o que eu recebi, porque tínhamos o dinheiro para receber. Mas eu pergunto: se um amigo meu pede dinheiro emprestado, se eu posso não vou emprestar?”, questiona a Graciema. O juiz Irênio Lima Fernandes afirma que deixou o caso com um advogado, Marcos Vinícius Witczak. Entretanto, ele afirma que outros 180 magistrados também receberam benefícios e que esse é um possível argumento de defesa. Ele classifica a decisão do CNJ como eminentemente política. “Depois de tantos anos de trabalho a aposentadoria deveria ser um prêmio, mas agora é vista como uma desonra. Mas eu acredito que a justiça será feita. Nesse momento, já que tenho tempo livre, estou aproveitando para estudar, me informar, para depois voltar para meu cargo melhor do que saí”, disse Irênio Lima. José Ferreira Leite também deixou a defesa nas mãos do advogado Marcos Vinícius Witczak e não quis comentar sobre a punição. Tadeu Cury também não quis falar sobre o assunto. Já os outros não atenderam aos telefonemas. (ARF)

Edição EDIÇÃO 16959




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