O senador Jayme Campos (DEM) requereu ontem a realização de uma audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal para acompanhar o andamento das obras da Ferronorte. O parlamentar se mostrou preocupado com a morosidade na construção sofre entraves burocráticos e financeiros para o seu prosseguimento. Devemos ter em mente que sete estados brasileiros terão suas economias afetadas diretamente pela ferrovia, lembrou. O senador argumentou que o país cresceu e poucos investimentos foram feitos no sistema multimodal de transportes. As estradas são hoje gargalos para o escoamento das riquezas nacionais, advertiu. Ele rememorou que na época da pavimentação da BR-163, no trecho entre Cuiabá e Campo Grande, Mato Grosso não produzia grãos e, agora, responde pela colheita de 27 milhões de toneladas destas commodities. É lógico que essa estrada foi concebida para um tipo de carga muito inferior à que é praticada na atualidade. Seu pavimento não suporta a pressão exercida sobre ele durante o período da retirada da safra. Jayme protestou contra a autorização da ANTT (Agência Nacional de Transportes e Terrestres) para a construção de apenas 13 quilômetros da ferrovia neste ano, entre os municípios de Alto Araguaia e Rondonópolis. Ora, é um trecho insignificante se levado em consideração que o cronograma ajustado inicialmente entre o Ministério dos Transportes e a América Latina Logística, empresa concessionária, previa a chegada dos trilhos até Rondonópolis em 2010, alertou. Mas o parlamentar se revelou temeroso quanto à falta de agilidade para a elaboração de estudos sobre o impacto ambiental da obra no prolongamento até Cuiabá. Ele quer uma ação direta das autoridades envolvidas no setor para que o cronograma da construção não fique ainda mais prejudicado. Outro fator que levou Jayme Campos a solicitar a audiência pública foi a paralisação da obra, que gera insegurança sobre a saúde financeira da empresa que detém a concessão da exploração da ferrovia pelos próximos 90 anos.