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Sábado, 23 de Fevereiro de 2013, 12h:20
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CONTAS PÚBLICAS
Folha salarial dispara e ICMS patina
Estudo que abalizará a Lei de Eficiência Pública mostra que gastos com pessoal têm crescimento de 16% ao ano, enquanto arrecadação do imposto sobe 3,4%
Deputados estaduais estiveram esta semana no Nordeste para conhecer práticas bem-sucedidas de gestão, como a de Pernambuco. Trata-se de uma etapa do processo de elaboração da chamada Lei de Eficiência Pública, que deverá ser votada este ano na Assembleia Legislativa. Para a elaboração da lei, mais importante que a viagem desta semana foi um estudo finalizado em setembro do ano passado que mostra a situação das contas públicas do Estado. A partir dela, constatou-se a necessidade de se elaborar uma lei que estabeleça diretrizes de gastos públicos. Trata-se do trabalho Reprogramação Estratégica do Desenvolvimento do Estado ou Mato Grosso Mais Eficiente - elaborado pela RC Consultores, do renomado economista Paulo Rabello de Castro. O estudo comprova que das despesas com pessoal e os incentivos fiscais estão tornando insustentáveis as contas públicas mato-grossenses, com sérios riscos para o futuro. No caso dos incentivos, o peso maior recai sobre a arrecadação do ICMS, que não tem crescido tanto quanto as despesas. Entre os anos de 2005 e 2012, as despesas com pessoal no Estado passaram de R$ 2,14 bilhões para R$ 6,18 bilhões ao ano, o que representa uma taxa média de crescimento anual de 16,1%. Neste mesmo período, a arrecadação do ICMS teve taxa média de crescimento de 3,4% ao ano. Dessa forma, a participação da receita tributária aquela que vem de impostos como ICMS no orçamento diminuiu de 59% em 2005 para 53% em 2012. Isso significa dizer que as finanças estaduais estão mais dependentes da União, das chamadas transferências correntes. Este cenário é preocupante porque o Estado poderá sofrer, de forma mais impactante, as consequências de uma eventual crise no governo federal, que poderá resultar em baixa arrecadação e, consequentemente, baixos repasses. Em 2005, as despesas com pessoal representavam cerca de 70% de toda a arrecadação do ICMS. Em 2012, já batia na casa dos 110%. Boa parte da culpa da baixa evolução da arrecadação pode ser atribuída à política de incentivos fiscais, que, segundo o estudo, têm sido excessiva. Em 2011, por exemplo, as desonerações do ICMS atingiram o valor de R$ 842 milhões, o que equivale a 15% do total arrecadado com o tributo. A Lei de Eficiência Pública pretende estabelecer, por exemplo, critérios mais rigorosos para a concessão de isenções, explica o economista Maurício Munhoz, superintendente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM). O estudo também faz critica à habitual prática de utilização dos restos a pagar, sobretudo a partir de 2009. Além disso, houve uma alta considerável dos valores pendentes de curto prazo e de outros débitos a pagar no balanço patrimonial, fato que acaba contribuindo para a queda da confiança da gestão das contas públicas do Estado, diz o estudo.