Primeira Página
Sexta-feira, 23 de Maio de 2008, 20h:37
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SANFONA MUDA
Enelinda perde um dos seus referenciais
Após seis campanhas eleitorais consecutivas, a parlamentar está há dois anos sem poder utilizar um dos seus grandes marcos
ALECY ALVES
Da Reportagem
Proibida de tocar ou até mesmo de aparecer ao lado da sua sanfona em público, a vereadora Enelinda Scala (PT) está há dois anos sem fazer uso do instrumento musical que passou a ser sua referência. Alertada sobre os riscos de ser multada por propaganda irregular, ela guardou a sanfona num saco e agora tenta obter judicialmente o direito de voltar a tocar. Ela pode sofrer ainda outras punições previstas na legislação eleitoral. Na condição de vereadora e pré-candidata à reeleição, Enelinda não pode levar a sanfona em nenhuma visita, mesmo que seja uma passadinha na casa de um amigo ou eleitor, tampouco subir no palanque ou caminhar pelas ruas da cidade tocando o instrumento, como fez por seis campanhas eleitorais consecutivas em Cuiabá. Na mesma proibição se enquadram os candidatos cantores, entre os quais o deputado Walter Rabello (PP), que almeja o cargo de prefeito de Cuiabá. Rabello, pelo que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) respondeu em consulta recente, não poderá cantar, nem mesmo dar a chamada palhinha, enquanto estiver em campanha. No caso Rabello, a proibição se estende ao seu parceiro de dupla, Odair Júnior. De acordo com informações do TRE, Odair Júnior não poderá aparecer em palanques, passeatas, caminhadas ou qualquer outra atividade de campanha ao lado de companheiro de cantoria. Como há muitos cantores-candidatos, aqui e em outros estados, meses atrás o Partido da República (PR) fez uma consulta ao TRE sobre essa questão. Nos itens para os quais o partido buscava esclarecimento estavam o uso de telões com imagens de apresentações musicais, distribuição de CDs e a presença de membros do grupo ou dupla no palanque. Para todas as questões a resposta foi negativa, ou seja, a prática de tudo que o partido consultou é proibida. A entrega do CD, por exemplo, caracterizaria a distribuição de brindes, segundo o desembargador Manoel Ornellas de Almeida, relator da consulta. Num trecho da sentença, o desembargador Ornellas entendeu que a pretensão visa campanha eleitoral de um cantor que se eleito, ao que parece, irá cantar apenas. O mandato eletivo deve ser voltado para o bem comum, completou. A vereadora Enelinda Scala não desistiu de ter a companhia de sua inseparável sanfona. Ele, que toca esse tipo de instrumento desde os 9 anos, há menos de 30 dias ingressou com a segunda consulta ao TRE na expectativa de obter autorização expressa. Ainda aguarda parecer. Na primeira, impetrada há mais de um ano, sequer obteve resposta. O TRE não se manifestou argumentando que não trata de caso concreto, ou seja, esse tema não poderia ter abordagem pessoal. Isso significa dizer que a vereadora teria de ter feito o pedido no nome do partido e tratando de instrumentos musicais em geral, não especificando a sanfona. Meses atrás, Enelinda recebeu em seu gabinete na Câmara, a visita de um eleitor que queria fazer uma apresentação em dupla com ela. Eu toco minha viola e a senhora pega sua sanfona, sugeriu o moço. Ela se esqueceu da proibição e chegou a marcar o encontro, mas quando o parceiro apareceu teve de pedir desculpas. Muitos me procuram querendo que eu toque em eventos deles, lamentou a vereadora.