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Sábado, 13 de Setembro de 2008, 10h:13
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VOTO FACULTATIVO
Discussões dividem opiniões no Estado
Obrigatoriedade do voto nas eleições do país foi implantada há 76 anos, mas desde então vem sendo questionada no Congresso
RAFAEL COSTA
Da Reportagem
O voto obrigatório no Brasil completou 76 anos em fevereiro, mas o fim da obrigatoriedade está na pauta da discussão da reforma política, prometida pelos parlamentares para ser votada ainda este ano. Em junho, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado converteu em proposta de emenda constitucional a sugestão feita pela Associação Comunitária de Chonin de China (Acocci) em favor do voto facultativo. Com parecer favorável do relator Eduardo Suplicy (PT-SP), a matéria foi encaminhada para a apreciação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, onde aguarda designação de relator. A proposição mantém a obrigatoriedade de o cidadão tirar e guardar o título de eleitor (apenas para efeito estatístico e de cadastro), mas o livra da obrigatoriedade de votar a cada dois ou quatro anos (no caso do DF), como ocorre hoje. Entidade sem fins lucrativos que representa um distrito de 2,3 mil habitantes localizado a 35 km de Governador Valadares (MG), no Vale do Rio Doce, a Acocci já apresentou outras sugestões legislativas ao Congresso antes de propor a extinção do voto obrigatório nas eleições. Para a senadora Serys Slhessarenko (PT), a adoção do voto facultativo significaria avanço político ao país. Sou favorável ao voto facultativo. Não há necessidade de obrigar o cidadão a votar. O sistema obrigatório facilita muitas inconveniências, enquanto no facultativo o eleitor está convicto de suas decisões, justifica. Questionada se acredita que o país está preparado para entrar na fase de não obrigatoriedade do voto, a parlamentar afirma que já há condições. O país está mais maduro politicamente. Sabe escolher os representantes e tem a consciência de que o voto tem conseqüência, como a de que o representante será responsável pela escolha de políticas públicas. Ainda em fase inicial, a discussão sobre o fim da obrigatoriedade do voto no Brasil já encontra outros simpatizantes no Senado. Em declarações anteriores, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) já se manifestou favorável ao sistema facultativo. Se o eleitor acha que não tem motivos para dar seu voto, por que ser obrigado a votar? Cabe aos políticos ter mais competência para convencê-los, disse. Dias ainda complementa afirmando que a obrigatoriedade do voto é uma afronta aos valores democráticos. O voto obrigatório tem sido a marca registrada dos estados totalitários, onde o governante necessita desse subterfúgio para compelir o comparecimento aos pleitos e dar uma aparência de legalidade a um regime de força, declarou. Uma das críticas feitas por aqueles que são contrários à decisão do voto facultativo no Brasil, é a de que o país não tem nível educacional elevado para entrar na fase de não obrigatoriedade. O que é rechaçado pelo deputado federal Carlos Abicalil (PT-MT), coordenador da bancada federal de Mato Grosso. Se fosse um processo de nível de escolaridade, os países da Europa com alto índice de alfabetização e que tem o voto facultativo não teriam altas abstenções. Não acredito que haja uma ligação direta envolvendo grau de escolaridade e voto facultativo, afirmou. A reportagem tentou durante a semana colher as opiniões da dupla de senadores democratas Jayme Campos e Gilberto Goellner. O primeiro não deu retorno e o segundo alegou que desejava estudar mais sobre o assunto.