Primeira Página
Quarta-feira, 07 de Abril de 2010, 22h:24
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Depoimento relata disputa entre dois partidos
Na decisão da Justiça Federal, que determina a prisão temporária dos acusados pela Polícia Federal, o juiz Julier Sebastião na Silva descreve uma briga política entre dois partidos - o PMDB e o PT - pela direção da Funasa, com objetivo de beneficiar o grupo com repasse de porcentual das obras conseguidas. Conforme um depoimento, existiria um acordo político firmado entre dois deputados dessas siglas e os empreiteiros Evandro Vitório e Valdebran Padilha, que indicariam a direção da Fundação e assim conseguiriam obter lucros escusos. O assessor parlamentar do deputado federal Carlos Bezerra (PMDB), Rafael Bastos, foi um dos presos na operação Hygeia. Também foram detidos o tesoureiro estadual do PMDB, Carlos Miranda, e o sobrinho do deputado, José Luiz Bezerra. Na investigação, Carlos Miranda aparece como elo entre o núcleo empresarial e os agentes públicos. No começo da manhã de ontem, o presidente municipal do PMDB, Clóvis Cardoso, esteve na frente da Polícia Federal, em Cuiabá, passando informações sobre os integrantes presos do partido ao advogado escalado para o caso, Ulisses Rabaneda. O secretário explicava qual a função de cada um dentro do partido ou cargo que ocupa junto ao deputado. Numa explicação geral, Clóvis Cardoso disse que a Funasa tem muita ligação com o PMDB. Em entrevista, Rabaneda afirmou que no interrogatório não houve perguntas relacionadas ao deputado. A delegada da PF responsável pelo caso, Heloísa Albuquerque, ressalta que ainda não existem nomes de políticos na investigação. O político sempre tenta beneficiar com emendas parlamentares a sua região eleitoral, e isso não é crime, e até normal. O que caracteriza crime é o direcionamento para empresas executoras de obras, contratos superfaturados, como aconteceu nesse caso, disse a delegada. De acordo com as investigações, ocupantes de cargos de destaque na administração pública, lobistas e as organizações instituto Creatio e Idheas, além de outras empresas, figuram nos contatos licitados irregularmente. O deputado Bezerra foi procurado pela reportagem para comentar sobre o caso, mas não atendeu as ligações. Já o deputado federal Carlos Abicalil, presidente estadual do PT, enviou nota afirmando que não tem ligação com Valdebran Padilha, mas que acredita nos trabalhos realizados pela polícia e justiça. (ARF)