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Quinta-feira, 17 de Junho de 2010, 22h:19

OPERAÇÕES

Audiência pública reacende polêmica

Deputados usaram evento para criticar Julier Sebastião e Mário Lúcio Avelar; representantes da Justiça, do MP e da PF não compareceram

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
A audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa ontem para debater os custos e resultados das operações da Polícia Federal rendeu grande polêmica. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva, afirmou que não dá para descartar o viés político da operação Jurupari, que investiga crimes ambientais. Nessa operação quase 100 pessoas, incluindo a esposa, irmão e genro do deputado, foram presas. Além deles, também foram presos o então chefe de gabinete do governador Silval Barbosa (PMDB) e servidores do alto escalão da Secretaria de Meio Ambiente. As críticas foram claras e diretas ao juiz da Justiça Federal Julier Sebastião da Silva e ao procurador do Ministério Público Federal, Mário Lúcio Avelar. As operações mais polêmicas da PF – aquelas que de alguma maneira têm envolvimento de políticos – foram assinadas pelos dois. O deputado federal Pedro Henry foi forte em suas palavras, fazendo graves acusações. “A Operação é conversa fiada para Julier e sua quadrilha chegarem ao poder”, acusou o deputado. Nenhum representante da Justiça Federal, do Ministério Público ou da Polícia Federal compareceu ao evento. Mas a ONG Moral e o Movimento de Combate à Corrupção (MCCE) fizeram a defesa desses órgãos. O presidente da Moral, Ademar Adams, tomou a tribuna e defendeu as instituições federais dizendo que “os parlamentares não têm moral para criticar a Justiça”, já que recai sobre aquela Casa de Leis a suspeita de desvio de dinheiro. Além disso, rebateu as afirmações de que as operações prejudicaram a economia do Estado. “Dizer que a circulação do dinheiro em Cuiabá diminuiu depois da prisão do Arcanjo é pedir que o bicheiro volte às suas atividades nas ruas”, disse Ademar, referindo-se a João Arcanjo Ribeiro. O sociólogo Maurício Munhoz apresentou um estudo afirmando que a operação Curupira causou prejuízo de R$ 8 bilhões ao Estado. “Quase 30 mil pessoas perderam emprego. Isso significa R$ 1 bilhão em salário que parou de circular. Isso afeta o consumo, a arrecadação de impostos...”, explicou o sociólogo. Riva denunciou que depois de 15 dias das prisões na Jurupari, a Polícia Federal fez busca e apreensão na Sema para buscar provas dos supostos crimes. “Depois que as pessoas foram presas e execradas publicamente, foram buscar provas. Isso é muito questionável”, disse o deputado. Riva também fez um convite para que Mário Lúcio e Julier visitem a sua fazenda Paineiras, propriedade investigada na suposta fraude em manejo florestal. “Não tem fazenda naquela região que se preocupe mais com o meio ambiente do que a nossa. Eu faço um convite, muito respeitoso, para conhecê-la”, disse Riva. Apesar do evento ter sido realizado pela Assembleia e bancada federal, a ausência de parlamentares foi marcante. Além de Riva, só compareceram Adalto de Freitas (PMDB), o Daltinho, Vilma Moreira (PSB) e Pedro Satélite (PPS) de deputados estaduais. Da bancada federal, apenas os progressistas Eliene Lima e Pedro Henry compareceram.

Edição EDIÇÃO 16959




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