Primeira Página
Sábado, 24 de Maio de 2008, 16h:06
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MEIO AMBIENTE
Após críticas, ministro procura diálogo
Segundo informações, o presidente Lula deve promover até terça-feira um encontro entre o governador Blairo Maggi e o ministro Carlos Minc
NOELMA OLIVEIRA
Da Reportagem
Após uma semana de troca de farpas, iniciada pelo futuro ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e devolvidas à altura pelo governador Blairo Maggi (PR), por conta dos índices elevados de desmatamentos nos estados que formam o bioma amazônico, especialmente Mato Grosso, as entrevistas divulgadas ontem, pela grande imprensa, dão conta de que os dois buscarão o diálogo para contornar os problemas da devastação no Estado. Para acabar com a celeuma, o Palácio do Planalto sinalizou que quer reunir o governador e o ministro, até terça-feira, quando acontece a posse de Minc. O encontro, segundo informações, está sendo intermediado pelo próprio presidente Lula. Em uma entrevista para os jornalistas Cristine Gerk e Marcelo Ambrosio, do Jornal do Brasil, o futuro ministro aponta que o diálogo, aliado a um trabalho integrado na gestão ambiental, será o caminho inicial para resolução dos impasses. Conversei com o secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso. Ele quer me encontrar. Os ambientalistas dizem que a Secretaria lá é a melhor estruturada da Amazônia e quero partir para uma linha de negociação com os setores avançados do agrobusiness. Nas próximas semanas me reunirei com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais para tratar da soja e com exportadores de madeira quero abrir uma linha de crédito no BNDES para eles se estruturarem. Quem precisa de certificação para exportar (na Europa nada se compra da Amazônia sem auditagem) terá, respondeu o futuro ministro ao ser questionado sobre como será a relação com o governo do Estado. Ainda sobre a suposta resistência do governador Blairo Maggi em ceder pessoal para a Guarda Nacional, o ministro afirmou ao Jornal do Brasil: Isso foi num primeiro momento. A conversa vai evoluir. Tive de fazer algo mais forte no começo. Marina Silva era a defensora da floresta e lá fora a ecologia do Brasil tem uma palavra só: Amazônia. A sinalização era a de que ela jogou a toalha e a floresta ia virar carvão. Se eu não chegasse com tudo, falando grosso, em Exército, não ia dar. Pedi apoio ao presidente para a Guarda Nacional e para a resolução do Banco Central que só dá crédito para quem tem regulamentação fundiária. Ele me deu. Agora vou partir para trazer dinheiro, garantindo para o mundo que teremos mais rigor. Não defendemos bioma só com polícia, e sim com uma estruturação econômica não-predatória, pondera o ministro. Minc defende uma participação de todos os setores na gestão ambiental. Também não creio que a Amazônia deva ser um santuário e sim que tenha práticas sustentáveis, diz o futuro ministro em outro trecho da entrevista. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu intervir no bate-boca entre o futuro ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR). Em reunião que pretende fazer com os dois, no máximo até terça-feira, dia em que Minc tomará posse, Lula vai pedir que eles suspendam as agressões mútuas, noticiou ontem a Agência Estado.