NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Segunda-feira, 08 de Junho de 2026

POLÍTICA
Terça-feira, 13 de Maio de 2025, 17h:13

VENDA DE SENTENÇAS

Lobista de MT e mulher estão no centro de suposto esquema no STJ

PF investiga lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, mercado de câmbio clandestino, evasão de divisas e organização criminosa

Da Redação
Reprodução
O lobista Andreson Gonçalves e sua esposa, a advogada Mirian Ribeiro Rodrigues de Mello Gonçalves, teriam atuado em conjunto em um esquema de venda de sentenças no STJ

O empresário mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves, 45 anos, e a mulher dele, a advogada Mirian Ribeiro Rodrigues, estão no centro da investigação da PF sobre um grande esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Ele está preso na penitenciária federal de Brasília; ela, em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica.

Leia também:

PF faz busca e apreensão no escritório de ex-presidente da OAB-MT

PF mira rede de lavagem de propina em esquema de venda de sentenças

Lobista alvo da PF tem patrimônio milionário com aviões, mansão e resort

Ao deflagrar a 5ª fase da Operação Sisamnes, na manhã desta terça-feira (13), a Polícia Federal levou em conta o fato de que o esquema de venda de sentenças judiciais tem se revelado “consideravelmente mais sofisticado e complexo” do que imaginavam os próprios investigadores.

Por isso, a direção do órgão pediu ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), para prorrogar por mais 60 dias as investigações de corrupção nos bastidores do STJ.

Segundo a PF, foi identificada uma rede financeiro-empresarial de lavagem de dinheiro, criada para dar aparência de legalidade às supostas propinas da compra de decisões judiciais no tribunal, “de modo a romper a vinculação direta entre o agente corruptor e o servidor público corrompido”.

Os crimes investigados são lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, mercado de câmbio clandestino, evasão de divisas e organização criminosa.

O objetivo da operação é obter mais informações sobre os crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, mercado de câmbio clandestino, evasão de divisas e organização criminosa.

Nesta terça-feira (13), a PF deflagrou a 5ª etapamda Operação Sisamnes, em Mato Grosso, São Paulo e no Disteito.

No Estado, os agentes fizeram buscas e apreensão na casa e no escritório do advogado Ussiel Tavares, ex-presidente da OAB-MT.

Maços de dinheiros e três carros de luxo foram apreendidos pela PF, na manhã desta terça-feira, no contexto da operação. 

Imagens divulgadas pela PF mostram maços de notas de R$ 100, um Porsche Cayenne, um Porsche Macan e um Volkswagen T-Cross apreendidos. 

Não foi informado onde ocorreram as apreensões dos veículos e do dinheiro.

PRISÃO - Na última segunda-feira (12), a 1ª Turma do STF (STF) decidiu manter preso o lobista Andreson Gonçalves.

“Há nos autos consideráveis elementos apontando no sentido de que Andreson de Oliveira Gonçalves tinha função decisiva de comando e ingerência no contexto de suposto esquema de venda de decisões judiciais e de informações processuais privilegiadas, que envolveria, em tese, intermediadores, advogados e servidores públicos”, escreveu Zanin, em seu voto, no plenário virtual.

“Sua atuação é demonstrada de forma veemente nos autos, revelando-se bastante indiciária sua função central no suposto comércio de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça”, completou.

Andreson Gonçalves fez fortuna em Brasília na última década e hangou notoriedade, está no centro do suposto esquema. de venda de decisões que atingiu ao menos cinco gabinetes no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

As suspeitas levaram ao afastamento de sete desembargadores de dois tribunais de Justiça.

Em março, a PF realizou uma outra fase da Operação Sisamnes, com o objetivo de investigar obstrução de Justiça, corrupção e violação do sigilo profissional relacionada ao vazamento de informações sigilosas do STJ.

A apuração identificou uma rede clandestina que monitorava e negociava o acesso privilegiado a essa informações consideradas sensíveis.

Segundo a PF, a atuação do grupo envolvia atrapalhar operações policiais deflagradas após decisões do STJ.

Mensagens apreendidas pela PF na investigação mostram como teriam atuado assessores ligados a gabinetes de três ministros do STJ.

Os ministros do STJ não são investigados. Um dos diálogos envolve uma citação a um servidor que exerceu cargo em comissão de chefe de gabinete da ministra do STJ Isabel Galotti.

O nome foi citado em conversas de janeiro de 2020 entre o lobista Andreson Gonçalves e o advogado Roberto Zampieri, morto em dezembro do ano passado, em Cuiabá, tratando de cobranças que seriamo feitas por uma suposta venda de sentença.

Andreson chegou a enviar a Zampieri uma petição que, segundo as investigações, correspondeu precisamente a uma decisão efetivada pela ministra Isabel Gallotti nos autos.

A dupla comemorou. Zampieri foi morto a tiros em dezembro do ano passado.

As investigações apontam que o mandante do assassinato de Zampieri é um produtor rural prejudicado pelo esquema de venda de decisões.

A partir da análise do celular dele, foi instaurada uma investigação Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e na Polícia Federal — que revelou indícios de um esquema de venda de sentenças no STJ.

VIDA EM MANSÕES E COMPRA DE AVIÃO - O site UOL levantou documentos que demonstram como Andreson ostentava uma vida luxuosa e viu seu patrimônio e de sua esposa, a advogada Mirian Ribeiro Rodrigues de Mello, crescer recentemente.

Os dois compraram, em 2022, uma casa no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, por R$ 2,95 milhões, e a venderam no ano seguinte por R$ 3 milhões.

No mesmo ano, também compraram um terreno de 776 m², no Lago Sul, por R$ 4,5 milhões.

Havia uma residência no local, mas eles decidiram demoli-la para construir duas casas de dois andares, onde começaram a erguer um novo escritório de advocacia.

O terreno foi pago à vista, por meio de transferências bancárias para os antigos donos.

Diversos jatinhos também compõem o patrimônio do casal.

Em agosto de 2024, Andreson comprou, como pessoa física, um avião Cessna de sete assentos por R$ 10,3 milhões. Logo depois, revendeu a aeronave para sua própria empresa por R$ 6 milhões.

Nos últimos dois anos, sua empresa de táxi aéreo comprou três jatinhos por R$ 4,3 milhões.

O casal também é dono de uma frota de caminhões, de postos de gasolina, de um resort próximo à usina de Itaipu, no Paraná, e de um grupo agropecuário.

Conforme o levantamento do UOL, em 2008, Andreson foi investigado por participar de uma quadrilha que fez uma operação policial falsa em região de conflito de terras em Mato Grosso.

Acusado de usurpação de função pública, peculato e associação criminosa, Andreson não foi julgado porque os crimes prescreveram.

Segundo a denúncia do MP-MT (Ministério Público de Mato Grosso), o grupo atuava em Vila Bela de Santíssima Trindade (Oeste de MT) para retirar produtores rurais da região.

Esses produtores estavam assentados em terra cobiçada por fazendeiros.

De acordo com o MP, o grupo de Andreson teria se apoderado do gado deles.

Para os promotores, Andreson fazia o papel do que, entre policiais, é chamado de "ganso" - um civil que interpreta um policial e faz "bicos" junto a delegados e policiais de verdade, o que é ilegal.

A falsa operação policial teria ocorrido em setembro de 2007.

Andreson de Oliveira Gonçalves pegou emprestado um uniforme de policial e uma escopeta calibre 12 de um delegado que também foi denunciado.

Segundo os promotores, o hoje lobista chegou a assinar um relatório policial falso.

"Após várias incursões dos denunciados executores na área, praticando inúmeros atos de vandalismo, sendo que estavam aparentemente amparados por um 'mandado judicial' e se dizendo policiais, a situação estava caótica", relata o MP.

BRASÍLIA - Andreson se mudou para Brasília no início dos anos 2010 e passou a se apresentar como estudante de Direito. Ele dizia estudar na Faculdade Alvorada.

Em 2013, essa instituição recebeu uma ordem de despejo de sua sede e foi descredenciada pelo Ministério da Educação. Por isso, não é possível checar se ele estudou lá.

Sua atuação consistia principalmente em intermediar contatos entre clientes do agronegócio em Mato Grosso e advogados que atuavam em cortes superiores, segundo pessoas ouvidas pelo UOL.

Mesmo sem ter carteira de advogado, ele atuou de 2009 a 2015 como administrador em um escritório "acompanhando processos, fazendo relatórios (e) indicando clientes", na condição de "acadêmico de direito", indica uma declaração apresentada no inquérito.

Em 2014, ele se aproximou de um ex-funcionário do STJ, Alexsander Martins da Silva, hoje sócio de Mirian Ribeiro.

Alexsander foi assessor de Vasco Della Giustina, que atuou como magistrado convocado na Corte entre 2009 e 2011. 

Andreson chegou a ocupar, por alguns meses de 2014, um cargo de subsecretário de Desenvolvimento na Casa Civil do Distrito Federal, na gestão de Agnelo Queiroz (PT), com salário de R$ 10 mil.

A Polícia Civil de Mato Grosso detectou movimentações financeiras atípicas nessa época para o seu rendimento, o que levou à abertura de um inquérito em 2016 para apurar lavagem de dinheiro, que se estende até hoje.

Ele teve um "grande volume de movimentações bancárias suspeitas" em Tangará da Serra (Noroeste de MT) e Cuiabá nesse período, segundo a Polícia Civil, incluindo saques e depósitos em espécie somando R$ 1,8 milhão e, em outra conta, uma movimentação suspeita também de R$ 1,8 milhão.

As autoridades detectaram ainda que Andreson havia recebido recursos de uma empresa paulista que estava sob investigação por suspeita de participar em atividades criminosas do PCC.

A polícia ainda identificou que, entre 2007 e 2009, seu patrimônio aumentou 2.000%. Ele adquiriu à vista um imóvel comercial de R$ 1,5 milhão e uma fazenda de R$ 10 milhões.

Em 2017, em depoimento à polícia, Andreson afirmou que as movimentações atípicas de R$ 1,8 milhão em sua conta ocorreram em decorrência de um processo judicial no STJ em que estava atuando.

Nesse depoimento, ele se apresenta à polícia como bacharel em Direito, mas não como advogado.

Disse, também, que recebeu R$ 2 milhões de uma cliente devido a "envolvimento de terra" por seu trabalho em tribunais superiores junto ao escritório de sua esposa. Ele já estava casado com Mirian Ribeiro.

Com informações do UOL, O Globo e O Estado de S.Paulo  

 


Edição edição 16957




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL