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Cuiabá MT, Segunda-feira, 08 de Junho de 2026

POLÍTICA
Segunda-feira, 08 de Junho de 2026, 09h:28

VENDA DE SENTENÇAS NO TJMT

PF: desembargador usou advogado e deputado para ocultar bens

Operação detecta mais de R$ 3,2 milhões em depósitos e saques em espécie e transações sem justificativa comercial

MARCOS LEMOS
Da Reportagem
Reprodução/TJ-MT
Dirceu dos Santos teria contado com o auxílio do deputado estadual Faissal Calil (PL), do advogado Bruno Oliveira (detalhe) Castro e de terceiros para administrar recursos

Mais de R$ 3,2 milhões em depósitos e saques em espécie, transações sem justificativa comercial aparente e uma rede de pessoas de confiança utilizada para esconder patrimônio.

Esse é o cenário descrito pela Polícia Federal nas investigações que levaram à deflagração da Operação Gemini (nova fase da Operação Sisamnes), que mira um suposto esquema de venda de decisões judiciais em Mato Grosso.

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De acordo com a apuração, o desembargador afastado Dirceu dos Santos teria contado com o auxílio do deputado estadual Faissal Calil (PL), do advogado Bruno Oliveira Castro e de terceiros para administrar recursos, ocultar bens e dar aparência de legalidade a movimentações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores.

A Polícia Federal sustenta que o grupo operava uma estrutura voltada à ocultação patrimonial e à circulação de valores supostamente ligados à negociação de decisões judiciais.

Conforme os autos da investigação, pessoas próximas ao magistrado eram utilizadas para realizar operações financeiras, quitar compromissos particulares e participar de transações imobiliárias apontadas como simuladas.

As suspeitas ganharam força após a análise de dados extraídos de aparelhos celulares, cruzamento de informações financeiras e compartilhamento de dados com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O material revelou uma movimentação considerada incompatível com a capacidade financeira declarada pelos investigados.

Entre os elementos levantados pela PF, estão operações em dinheiro vivo que ultrapassam R$ 3,2 milhões, além de repasses supostamente realizados por empresas do setor do agronegócio que mantinham disputas judiciais em tramitação no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Os investigadores apontam que parte dessas transferências não possuía lastro negocial que justificasse os valores movimentados.

Segundo a Polícia Federal, o esquema funcionava por meio de uma divisão de tarefas.

Enquanto o magistrado exercia suas funções dentro da estrutura do Judiciário, pessoas de sua confiança seriam responsáveis pela movimentação financeira, ocultação de patrimônio e criação de mecanismos para dificultar o rastreamento dos recursos.

A operação recebeu o nome de Gemini, expressão latina para "gêmeos", em referência à relação de confiança e à atuação paralela identificada pelos investigadores entre os supostos integrantes da estrutura investigada.

Por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, sendo oito em Mato Grosso e quatro em São Paulo.

Também foram autorizadas medidas de quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático. Embora a ação não previsse prisões, uma pessoa foi presa em flagrante durante o cumprimento das diligências.

Os investigados poderão responder por corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro, conforme o grau de participação apurado ao longo das investigações, que seguem em andamento.


Edição edição 16957




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