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POLÍCIA
Segunda-feira, 12 de Maio de 2025, 10h:25

1ª ETAPA DE INQUÉRITO

Polícia indicia caseiro e PM por execução do advogado Renato Nery

Casal de empresários de Primavera está preso por mandar executar o crime. Motivo foi uma disputa por fazenda

Da Redação
Reprodução
Quatro militares da Rotam foram presos por suspeita de envolvimento na morte do advogado Ney (destaque). Um PM se entregou

A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu, na sexta-feira (9), a primeira etapa do inquérito que apura o homicídio do advogado Renato Nery, em Cuiabá.

Conduzida pela Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), a investigação identificou um caseiro de uma chácara em Várzea Grande e um policial militar como envolvidos diretamente na execução do crime, com detalhamento específico da atuação de cada um deles.

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O caseiro foi identificado como Alex Roberto de Queiroz Silva e o policial militar, como Heron Teixeira Pena Viera, ex-integrante da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam),

Os dois foram indiciados pelo crime de homicídio qualificado pela promessa de recompensa e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. 

CONDUTA INDIVIDUALIZADA -  As investigações da DHPP identificaram um casal, moradores do município de Primavera do Leste (a 2540 km de Cuiabá), como mandante do crime.

O casal da empresários foi identificado como Julinere Goulart Bentos e César Jorge Sech.

A motivação do crime foi uma disputa de terra.

Ambos tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça, e as ordens foram cumpridas na última sexta-feira.

De acordo com as apurações, o policial militar foi o intermediário contratado para fazer o “serviço”.

Ele conseguiu a arma de fogo usada no homicídio e foi quem repassou a arma para o caseiro da chácara, que pilotou a motocicleta Honda Fan até o local do crime e efetuou os disparos que atingiram o advogado.

CRIME ARQUITETADO - Durante as diligências, foi constatado que tanto o militar como o caseiro vinham monitorando a vítima por vários dias.

Também foi comprovado que, no dia anterior ao homicídio (4 de julho), o caseiro parou com a moto próximo do escritório do advogado, em horário idêntico e no exato local de onde atirou na vítima no dia 5 de julho.

Nesses dois dias, o caseiro conduziu a moto Honda Fan.

As provas demonstraram que o crime foi premeditado e a intenção era assassinar o advogado no dia 4.

Mas, por algum motivo alheio, o crime não se consumou no dia planejado, provavelmente devido a alguma circunstância inesperada.

INVESTIGAÇÃO - No dia 5 de julho, após cometer o homicídio em frente ao escritório de advocacia, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, no Coxipó, em Cuiabá, o caseiro percorreu cerca de 30 quilômetros até chegar na chácara, localizada no bairro Capão Grande, em Várzea Grande.

Todo o trajeto da motocicleta foi registrado por diferentes câmeras instaladas nas vias públicas.

No dia 8 de julho, a equipe da DHPP conseguiu acessar a última câmera, que captou imagens da moto a menos de 2 quilômetros da chácara.

Diante da descoberta, no dia 10 de julho, todo efetivo da DHPP foi empregado para realizar buscas na região do bairro Capão Grande, com objetivo de localizar a motocicleta, até então a principal pista da investigação.

O delegado Bruno Abreu, que presidiu o inquérito, explicou que essa movimentação intensa de policiais civis, nas proximidades da chácara, causou temor aos dois suspeitos quanto à localização da arma de fogo e alcance das autorias.

“As evidências indicam que o intuito era abandonar a arma empregada no homicídio, fazendo com que a situação de confronto se mostrasse real e, com isso, levasse à possível incriminação das pessoas abordadas na ocorrência do suposto confronto registrado no dia 11 de julho”, disse Bruno Abreu.

Com a conclusão desse inquérito e indiciamentos dos dois envolvidos, o caseiro e o militar seguem presos preventivamente à disposição da Justiça.

Os autos foram encaminhados para o Judiciário e ao Ministério Público Estadual para oferecimento de denúncia.

Já entre o casal apontado como mandante, a mulher aceitou colaborar com a investigação e irá falar em depoimento, acompanhada de advogado.

O homem segue negando o crime e permaneceu calado durante todo o depoimento. A conduta dos dois será apurada em inquérito complementar.

SOBRE O CONFRONTO - Outros quatro militares foram indiciados em outro inquérito da DHPP, que apurou o confronto entre criminosos e a Polícia Militar, ocasião em que foi encontrada a arma utilizada no assassinato do advogado.

A suposta ocorrência foi registrada sete dias depois do homicídio.

Essa investigação tramitou de forma distinta e simultânea com o inquérito sobre o homicídio de Renato Nery.

Ao contrário da versão apresentada pelos militares, de que as pessoas abordadas na ocorrência faziam uso de arma de fogo, constatou-se que aquelas pessoas não estavam armadas na ocasião.

A investigação apurou, com base em exames periciais e outras provas, que as armas apresentadas pelos militares foram colocadas na cena do crime depois do suposto confronto.

Os quatro envolvidos foram inquiridos mais de uma vez sobre a ligação da arma com o homicídio do advogado, mas os militares reservaram-se no direito ao silêncio.

Vale lembrar que, até o momento, não há indícios de participação direta dos demais militares na execução do homicídio do advogado.

O inquérito sobre o confronto, concluído na semana passada, aponta o envolvimento dos quatro no sentido de ocultar a impunidade do crime anterior, pelo fato do grupo ter dispensado a arma de fogo usada no homicídio de Renato Nery.

CONTINUIDADE - A DHPP instaurou inquérito complementar para esclarecer outros fatos ocorridos após o homicídio do advogado.

Um dos pontos será o pagamento de valor feito ao militar e ao caseiro, bem como a pessoa que efetuou o pagamento, além de identificar por onde o armamento passou até aparecer na cena do suposto confronto e averiguar as condutas de outras pessoas que agiram como intermediárias do homicídio.

O CRIME - Renato Nery morreu aos 72 anos, atingido por disparos de arma de fogo, no dia 5 de julho do ano passado (2024), na frente de seu escritório, na capital.

A vítima foi socorrida e submetida a uma cirurgia em um hospital privado de Cuiabá, mas morreu horas depois do procedimento médico.

Desde a ocorrência, a DHPP realizou inúmeras diligências investigativas, com levantamentos técnicos e periciais, a fim de esclarecer a execução do advogado.


Edição edição 16957




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