R$ 150 mil. Esse é valor que o casal da empresários Julinere Goulart Bentos e César Jorge Sech pagou pelo assassinato do advogado Renato Gomes Nery, em julho de 2024.
A informação é da Polícia Civil, mediante confissão, em depoimento nesta semana, do policial militar Heron Teixeira Pena Viera.
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Ex-integrante da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), grupo de elite da Polícia Militar, o policial foi preso sob a acusação de planejar a execução do advogado.
Na DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa) de Cuiabá, o PM confirmou que o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva foi o executor do crime.
Alex Roberto e Heron Vieira foram presos nos dias 6 e 7 de março passado, durante a Operação Office Crime - O Elo.
O caseiro foi detido na chácara do PM, que não foi localizado durante a operação e se entregou à Polícia Civil na delegacia no dia seguinte.
Na época, a Polícia Civil já tinha identificado a participação de cada um deles no crime.
Segundo as informações, o intermediador do crime, o policial militar Jackson Barbosa Pereira, acertou o pagamento de R$ 200 mil com o colega Heron.
Mas, somente R$ 150 mil foram pagos, valor que foi dividido entre o caseiro e Heron, segundo ele afirmou na confissão.
Além de entregar a participação dos comparsas, o ex-Rotam também revelou que o casal de empresários Julinere Goulart Bentos e César Jorge Sechi foi o mandante do homicídio.
A confissão, entre outros elementos da investigação, resultou na prisão de Julinere e César, nesta sexta-feira (9).
Segundo a Polícia Civil, a motivação foi uma disputa por terras no município de Novo São Joaquim (485 km a Nordeste de Cuiabá), avaliadas em mais de R$ 30 milhões.
PROVAS - As oitivas realizadas pela DHPP revelaram uma testemunha-chave que confirma que Alex Roberto foi o autor dos disparos que mataram Nery.
Além disso, a perícia no aparelho celular do caseiro encontrou um vídeo no qual ele se filmava dentro do Batalhão da Rotam, gravado dias após o homicídio do advogado.
Em seus depoimentos, entretanto, Alex Roberto negou que frequentasse o local.
Na perícia, ainda foram descobertas mensagens trocadas entre Alex Roberto e um homem com passagens criminais por tráfico de drogas e homicídio, nas quais o caseiro informava que "estaria indo em uma missão com a Rotam".
Outras provas ainda mostram que o caseiro trafegava pela cidade com a motocicleta vermelha, sem placas, que foi utilizada no dia do homicídio do advogado, tendo, inclusive, ido com ela até o batalhão militar.
O celular, ainda de acordo com informações repassadas pela fonte, é um Apple Iphone que o caseiro teria recebido do policial ex-Rotam, Heron Vieira. O presente foi dado em 11 de julho, mesmo dia em que houve o confronto forjado para plantar a arma usada no assassinato de Nery.
Deste confronto, conforme a Polícia, participaram os PMs da Rotam Leandro Cardoso, Wailson Alessandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira e Jorge Rodrigo Martins, que foram indiciados neste caso por homicídio, tentativa de homicídio e fraude processual.
A DHPP abriu um Inquérito Complementar para apurar a possível participação, neste confronto forjado, de Heron Vieira e o PM da Inteligência da Rotam, Ícaro Nathan Santos Ferreira, que foi preso em 17 de abril, acusado de entregar a pistola Glock G17 usada para matar Nery.
O CRIME - Ex-presidente da OAB-MT, Renato Nery foi atingido por disparos na cabeça no dia 5 de julho de 2024, quando chegava em seu escritório na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá.
Socorrido com vida, ele foi levado às pressas para o Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, onde passou por cirurgias, mas não resistiu e morreu no dia seguinte.




