O Exército Brasileiro voltou a atuar nas ruas de Cáceres ontem, a exemplo do que ocorreu em 30 de agosto deste ano. É a segunda operação de adestramento da tropa que passará a exercer o papel de polícia em regiões fronteiriças, como determina a Lei Complementar 97, instituída pelo governo federal, e que passou a valer no dia 25 de agosto último, sendo colocada em prática quase que imediatamente pelo 2º Batalhão de Fronteira em Cáceres. A lei teve origem no Poder Executivo e permite ao Exército, à Marinha e à Aeronáutica fazer patrulhamento dos limites territoriais e revista de pessoas e efetuar prisões em flagrante, atividades antes exercidas apenas pela Polícia Federal. Os militares agora podem agir no combate a crimes transfronteiriços, como tráfico de drogas, e ambientais como desmatamento e tráfico de animais silvestres. A lei prevê ainda que as instituições podem agir "independente da posse, da propriedade e da finalidade" da área em que fizerem o patrulhamento, em uma referência às terras indígenas. Como da vez anterior, ontem 150 militares do 2º Batalhão de Fronteira realizaram treinamento com a Polícia Militar. Na primeira etapa, os militares atuaram na fiscalização do trânsito no perímetro urbano, principalmente na área central da cidade. Ontem, as ações se ampliaram e foram concentradas nas saídas de acesso às rodovias para Cuiabá e Barra do Bugres. O setor de relações públicas do 2º Befron informou que o Exército irá também montar barreiras fixas e móveis, com a parceria da Polícia Federal e de policiais do Grupo Especial de Fronteira, o Gefron, nas estradas vicinais que dão acesso s Bolívia. Em Mato Grosso, são 900 quilômetros de fronteira com a Bolívia, 700 deles secos.