POLÍCIA
Terça-feira, 21 de Junho de 2011, 21h:32
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PENITENCIÁRIA
Disparo que matou agente deve ser da PM
Gestor do sistema prisional confirmou ontem que Wesley Santos, de 24 anos, foi atingido por tiro de calibre 12. Corregedoria da PM investiga
CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
O agente prisional Wesley da Silva Santos, de 24 anos, foi morto por um tiro, e não por golpes de chuço, anteontem durante uma tentativa de rebelião na Penitenciária Central do Estado (PEC). A informação preliminar era de que ele havia sido ferido por um dos detentos, conforme a Polícia Militar. O secretário-adjunto de Sistema Penitenciário, tenente-coronel José Antônio Chaves, no entanto, confirmou a origem do ferimento ontem acrescentando que o laudo do Instituto Médico Legal atestou que o servidor foi vítima de disparado de arma de fogo. A vítima levou um tiro de [uma arma calibre] 12 e a própria polícia estava usando essa arma. A Corregedoria da Polícia Militar está levantando as informações, afirmou Chaves. O corpo de Wesley será enterrado em Nortelândia. Ele fazia seu terceiro plantão na PEC. Ontem, agentes do sistema prisional de Mato Grosso fizeram manifestação na porta do presídio para protestar por melhores condições de trabalho. O Estado precisa investir na segurança de quem está trabalhando em situações de risco todos os dias, disse o presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário, João Batista Pereira. Os agentes disseram que não vão retomar as atividades enquanto não conseguirem marcar uma reunião com o governador Silval Barbosa para discutir a pauta de reivindicações. O Sindicato pede o retorno dos agentes que estão no setor administrativo para as unidades prisionais, curso de formação com estágio e acompanhamento dentro das unidades de no mínimo três meses, padronização dos procedimentos em todos os presídios do Estado e a construção imediata de penitenciárias para a transferência dos presos. O secretário-adjunto de Justiça e Direitos Humanos, Genilto Adenaldo Nogueira, reconheceu que a quantidade de presos atualmente é maior do que suportam as penitenciárias. Há superlotação generalizada nos presídios em Mato Grosso. Uma das formas de se combater isso é fazer ação social para diminuir a reincidência, disse. Agentes penitenciários que estavam na manifestação afirmam que Wesley não passou por nenhum tipo de preparação antes de atuar no presídio. Nogueira, entretanto, garantiu que o agente passou por capacitação, mas que isso não foi determinante na morte. Foi uma questão de momento. Ele estava com outros dois profissionais antigos. Não acho que foi isso [a preparação ou não] que determinou a morte. Para Chaves, o problema precisa ser resolvido a longo prazo. Primeiro é preciso resolver o problema da criminalidade, para depois reivindicar presídios. Investindo em educação, em 20 anos não teremos problemas como esse, profetizou. Ontem, a Secretaria de Estado de Segurança Pública divulgou nota informando que o laudo oficial sobre a causa morte de Wesley ainda não foi concluído pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). O documento deve ficar pronto em até 10 dias. As investigações estão sendo feitas pelas polícias Civil e Militar.