POLÍCIA
Terça-feira, 02 de Março de 2010, 21h:20
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CASO EIKO
Depois de 1 mês, sem resposta sobre DNA
Falhas graves ocorridas no exame para tentar elucidar assassinato de estudante, que deveriam ser cobradas pelo Estado, permanecem sem solução
ALECY ALVES
Da Reportagem
Mais de um mês depois do reconhecimento público de falhas graves, permanecem sem respostas os exames de DNA dos dentes da estudante de Direito Eiko Nayara Uemura e dos fios de cabelo recolhidos no porta-malas do carro, um Renault, que pertencia ao amante dela, o advogado Sebastião Carlos Araújo Prado. Eiko foi encontrada morta no dia 29 de abril do ano passado, aos 23 anos de idade, no despenhadeiro Portão do Inferno, na estrada para Chapada dos Guimarães. O caso chegou a ser investigado como suicídio, mas um segundo laudo de necropsia assinado pelo médico legista Jorge Caramuru revelou que a estudante havia sido jogada do penhasco de cerca de 75 metros. A comparação do DNA dos dentes e dos fios de cabelo, que seriam a esperança de elucidação do caso, acabou frustrando a polícia. Para surpresa daqueles que investigam e acompanham esse intrigante caso, os perfis, tanto dos dentes quanto do cabelo, apontaram que seriam de pessoas do sexo masculino. Como os dentes foram retirados do corpo de Eixo Uemura durante a exumação, por peritos da Polícia Técnica e o Instituto Médico Legal (IML) de Mato Grosso, todos ficaram sem entender a presença do DNA de um homem. Mais ainda, pelo fato de os exames terem sido feitos no laboratório de Identificação Humana e Diagnóstico Molecular da Universidade Federal de Alagoas, que é referência para o país nessa modalidade de investigação de provas. Em janeiro, a coordenadora do Laboratório Forense da Polícia Técnica de Mato Grosso (Politec), Alexandra Alves, disse que iria até o laboratório alagoano buscar as amostras para que novos exames pudessem ser feitos aqui ou em outro estado. Alexandra declarou na ocasião que há muitas hipóteses de erros que poderiam alterar os exames. O contato manual assim como um espirro poderiam, segundo ela, contaminar as amostras e mudar completamente o resultado. Ou, ainda, disse, um erro de digitação dos dados. O problema é que desde então nenhuma técnica ou outra autoridade da Segurança Pública voltou a comentar o caso. Não se sabe, sequer, onde estão, ou se estão, sendo refeitos os exames. Na avaliação do delegado Márcio Pieroni, que coordena as investigações policiais, a comparação do DNA poderiam representar a elucidação de 80% do caso. LIGAÇÕES Eiko Uemura era sobrinha do empresário do ramo de hortifrutigranjeiros de Cuiabá Júlio Uemura, que hoje responde na Justiça processo por supostamente chefiar uma quadrilha de extorsão e estelionato. O grupo foi desarticulado na Operação Gafanhoto, do Grupo de Atuação contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. A estudante também foi denunciada no caso. Seu nome figurava como um dos laranjas que emprestavam o nome para os negócios da quadrilha. A ligação da morte da jovem com os crimes supostamente orquestrados pelo tio não é hipótese descartada nas investigações policiais.