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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

POLÍCIA
Quinta-feira, 26 de Março de 2009, 20h:35

OMISSÃO DA JUSTIÇA

Burocracia deixa soltos estupradores

Embora com muitos indícios que incriminam dois acusados de estupro, Polícia está inerte porque Justiça não decretou preventiva dos suspeitos

ADILSON ROSA
Da Reportagem
A Polícia se vê às voltas com dois casos de acusados de estupro que não podem ser presos. É que, embora já tenha sido solicitada a prisão preventiva ou provisória deles, a Justiça ainda não as decretou. Trata-se do vendedor Welington dos Santos Santana, de 22 anos, reconhecido em quatro estupros ocorridos recentemente na região da Morada do Ouro, e do pedreiro Edio Edmundo Figueiredo, de 36, acusado de violentar sexualmente a própria filha, de apenas 12 anos de idade. Os policiais da Delegacia do Complexo do Planalto e da Defesa da Mulher informaram que ainda não é possível efetuar a prisão do vendedor, uma vez que não existe um mandado de prisão contra ele. “Não vamos fazer uma prisão ilegal. Estamos aguardando o pronunciamento da Justiça”, segundo informou um policial plantonista. Welington Santana foi detido na segunda-feira à tarde por policiais militares do 4º Batalhão, depois que foi reconhecido como autor do estupro por uma das vítimas. Levado à Delegacia do Planalto, mais três vítimas o reconheceram. Mesmo indiciado nos quatro estupros, Welington teve que ser liberado porque a prisão dele não fora decretada. O vendedor é apontado como o “Maníaco da Morada do Ouro”, mas nega ter praticado os estupros. A Polícia acredita que, com a divulgação do reconhecimento por parte de quatro garotas, outras vítimas podem ser encorajadas a também denunciá-lo, levando o número de vítimas a ser ampliado. Conforme o relato de uma das vítimas, uma adolescente de 14 anos, o acusado a abordou no início de janeiro, no período vespertino. Ameaçando espancá-la, ele a arrastou para um matagal, onde a estuprou e depois ameaçou matá-la caso ela procurasse a Polícia. A notícia da prisão do suspeito levou os policiais do Planalto a localizarem mais três vítimas (supostamente dele), violentadas de maneira muito parecida. Segundo os policiais plantonistas, o maníaco agia sempre da mesma forma. Antes do ataque, ficava observando a rotina da vítima por dois ou três dias. Em seguida a atacava, geralmente no período da tarde. As outras garotas também confirmaram que ele as seguira no dia anterior à prática do crime. “Ele não andava armado nem com revólver nem com faca, mas intimidava as vítimas, todas adolescentes”, explicou um dos policiais. Policiais plantonistas disseram que conseguiram localizar as vítimas porque se tratam de crimes praticados de forma semelhante. Para surpresa dos policiais, todas as vítimas reconheceram o acusado como autor dos estupros. Mas em depoimento informal aos policiais, Welington negou a violência sexual. Disse não saber de onde as garotas tiraram a ideia de que ele é um maníaco.

Edição EDIÇÃO 16965




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