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MUNDO
Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009, 08h:43

LUTO

Ted Kennedy morre de câncer aos 77 anos

No Senado, Ted serviu 10 presidentes, incluindo seu irmão John Fitzgerald Kennedy, assassinado em 1963, e do senador Robert Kennedy, morto por um tiro

O senador Edward M. Kennedy, o último sobrevivente dos irmãos da dinastia política e um dos mais influentes democratas da história americana, morreu aos 77 anos na noite de terça-feira, em sua casa depois de uma luta contra o câncer cerebral. Em cerca de 50 anos no Senado, Ted serviu 10 presidentes, incluindo seu irmão John Fitzgerald Kennedy, assassinado em 1963, e do senador Robert Kennedy, morto por um tiro enquanto disputava a nomeação para a presidência na eleição de 1968. Em sua carreira política de quase meio século, Ted Kennedy foi uma voz dominante nas discussões sobre saúde pública, direitos civis, guerra e paz, entre outros assuntos. Para o público dos EUA, porém, ele ficou mais conhecido como o último sobrevivente de uma família de políticos progressistas. "Edward M. Kennedy, o marido, pai, avô, irmão e tio que nós amávamos tão profundamente, morreu tarde da noite na terça-feira, em casa, em Hyannis Port (Massachusetts)", informou a família Kennedy em comunicado ontem. Um dos senadores mais influentes e há mais tempo no Congresso na história dos EUA - um porta-bandeira liberal que também era conhecido como um negociador político perfeito - Kennedy lutava contra um câncer no cérebro, que foi diagnosticado em maio de 2008. Um funcionário do governo confirmou que Ted será enterrado no cemitério nacional de Arlington, próximo dos irmãos. Somente dois presidentes norte-americanos estão enterrados em Arlington: Kennedy e William Howard Taft, que faleceu em 1930. O funeral será no sábado. Sua morte marca o crepúsculo de uma dinastia política e representa um baque para os democratas, que tentam responder ao pedido do presidente Barack Obama por uma grande reforma no sistema de saúde dos EUA. Kennedy era um dos principais defensores da reforma da saúde, uma das marcas do governo Obama. O presidente disse nesta quarta-feira que estava de coração partido com a notícia da morte de Kennedy, que foi fundamental para sua vitoriosa campanha presidencial. "Eu estimava seu conselho sábio no Senado, onde, independente do turbilhão de eventos, ele sempre tinha tempo para um novo colega. Eu lembro de seu apoio e confiança em minha disputa presidencial. E mesmo enquanto ele lidava com uma doença mortal, eu tirei proveito como presidente de sua sabedoria e coragem", disse Obama, que foi eleito em novembro do ano passado e tomou posso em janeiro. Como outros membros da família Kennedy, a vida do senador Ted Kennedy também foi marcada por glórias e tragédias. Para analistas, ele sintetizou a mistura de virtudes e vícios políticos que definiram a mais proeminente dinastia política dos Estados Unidos. O assassinato de seus dois irmãos John e Robert Kennedy - o primeiro em 1963, dois anos após assumir a presidência dos Estados Unidos, e o segundo em 1968, quando disputava a nomeação do partido Democrata - colocou sobre os ombros do caçula Edward a expectativa de um dia chegar ao posto mais alto da nação. Expectativas que ele nunca chegou a cumprir, suas ambições políticas reduzidas pelo escândalo da morte de uma ex-secretária em um acidente com o carro que ele dirigia em 1969. Dos nove descendentes de Joseph e Rose Kennedy, está viva apenas uma filha, Jean Kennedy Smith, que foi embaixadora na Irlanda sob a Presidência de Bill Clinton. Há duas semanas, em 12 de agosto, morreu outra das irmãs, Eunice Kennedy Shriver.

Edição EDIÇÃO 16959




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