MUNDO
Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013, 21h:49
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SÍRIA
Regime acena com pedido de cessar-fogo
John Kerry reafirma culpa de Assad e pede resolução contra armas químicas. Vladimir Putin se diz esperançoso com acordo sobre armas químicas sírias
O regime sírio pedirá um cessar-fogo, caso seja realizada uma nova conferência internacional, a chamada Genebra 2, declarou o vice-primeiro-ministro sírio de Relações Econômicas, Qadri Jamil, ao jornal britânico The Guardian, em entrevista publicada on-line nesta quinta-feira. Segundo Jamil, o conflito entre o regime e os rebeldes chegou a um "impasse", e nenhuma das duas partes tem os meios para superá-lo. Ao ser perguntado sobre o que seu governo poderia propor na cúpula Genebra 2, o vice-premiê afirmou: "O fim da intervenção estrangeira, um cessar-fogo e o lançamento de um processo político de paz". O secretário de Estado americano, John Kerry, pediu ontem que o Conselho de Segurança da ONU vote "na próxima semana" uma eventual resolução obrigando a Síria a respeitar um plano de desmantelamento de seu arsenal químico. Em um pronunciamento surpresa no Departamento de Estado, ele reafirmou que o regime de Assad é "culpado" pelo ataque com armas químicas. "Não vamos perder tempo debatendo algo que já sabemos", afirmou Kerry, fazendo referência às últimas declarações do regime sírio, que culpa os rebeldes pelo massacre do dia 21 de agosto. "O Conselho de Segurança deve se preparar para agir", declarou Kerry. "É vital que a comunidade internacional se levante e fale nos termos mais fortes possíveis sobre a importância da ação obrigatória para livrar o mundo das armas químicas da Síria", acrescentou. PUTIN O presidente russo, Vladimir Putin, disse ontem que não poderia ter 100 por cento de certeza de que o plano para destruir armas químicas da Síria será bem-sucedido, mas que vê sinais positivos para ter esperanças. Putin, cujo país tem sido o principal aliado do governo sírio em mais de dois anos de guerra civil, elogiou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por não manter as ameaças de uma ação militar devido a um ataque com gás venenoso em áreas controladas pelos rebeldes. Ele disse que o possível ataque violaria o direito internacional e reiterou as suspeitas de que opositores de Assad encenaram o ataque, que matou centenas de pessoas em 21 de agosto, para incentivar uma ação militar dos Estados Unidos. "Vamos ser capazes de cumprir tudo (a destruição das armas químicas sírias)? Eu não posso estar 100 por cento certo sobre isso", disse Putin a jornalistas e especialistas russos. "Mas tudo o que vimos até agora nos dias recentes nos dá confiança de que vai acontecer ... espero que sim." Putin, ex-espião da KGB, disse que a ogiva "primitiva" utilizada para o ataque fornece fortes razões para acreditar que foi encenado por inimigos de Assad e que outros supostos ataques com armas químicas na Síria também precisam ser investigados. Washington afirma acreditar que o ataque foi realizado por forças de Assad.