Para chanceler israelense o ultimato do Quarteto, que pediu o fim da colonização em territórios ocupados, deixa mais distantes as chances de um acordo
O quarteto de mediadores para o Oriente Médio pediu ontem ao governo de Israel que "congele" a construção de todos os seus assentamentos e solicitou aos palestinos para que não cometam atos que possam atrapalhar o início das negociações indiretas entre as partes. "O Quarteto convoca o governo de Israel a congelar todas as suas atividades para a construção de assentamentos (...), desmantelar todos os assentamentos levantados desde março de 2001 e parar de demolir edifícios e despejar gente em Jerusalém Oriental", diz a declaração assinada pelo Quarteto, formado por Estados Unidos, União Europeia, ONU e Rússia, em Moscou. O documento foi lido em entrevista coletiva ao término da reunião dos mediadores pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. O quarteto condenou a decisão do governo de Israel de construir novos imóveis na parte árabe de Jerusalém e pediu para que as duas partes mantenham a calma, abstenham-se de "ações provocadoras" e deixem de lado a "retórica incendiária". "As ações unilaterais adotadas por qualquer uma das partes não devem se antecipar ao resultado das negociações e não serão reconhecidas pela comunidade internacional", ressalta a declaração. Os mediadores destacaram que o status de Jerusalém deve ser determinado por negociações entre ambas as partes. Ao mesmo tempo, o quarteto demonstrou satisfação com a possibilidade de negociações indiretas entre israelenses e palestinos e ressaltou que estas serão "um passo importante rumo ao reatamento sem condições prévias das negociações bilaterais diretas". ISRAEL O chanceler de Israel, Avigdor Lieberman, afirmou ontem que o ultimato do Quarteto para o Oriente Médio - que pediu o fim da colonização em territórios ocupados e deu prazo de 24 meses para um acordo de paz com os palestinos - deixa mais distantes as chances de um acordo. "A paz não pode ser imposta artificialmente por um calendário irrealista", disse Lieberman, em uma mensagem à comunidade judaica de Bruxelas, na Bélgica. "Este tipo de declaração apenas compromete as chances de alcançar um acordo". Segundo Lieberman, a declaração do Quarteto ignora as experiências dos últimos 16 anos, desde os Acordos de Oslo, e não considera que a paz "deve ser construída desde o território, com ações práticas no território".