MUNDO
Sábado, 24 de Maio de 2008, 14h:11
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CHINA
Primeiro-ministro confirma 60 mil mortes
Os números divulgados pelo premier chinês são muito superiores aos dados oficiais, que até anteontem confirmavam 55.740 mortes
O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, confirmou ontem que pelo menos 60 mil pessoas morreram no terremoto de 12 de maio, e disse que o número real de vítimas fatais pode superar 80 mil, segundo a imprensa local. Wen, que visita pela segunda vez a devastada província de Sichuan desde o devastador terremoto de 8 graus de magnitude na escala aberta de Richter, assinalou que as vítimas "podem aumentar para 70 ou 80 mil, e até mesmo mais". Os números divulgados pelo premier chinês são muito superiores aos dados oficiais, que até ontem confirmavam 55.740 mortes, 55.239 delas em Sichuan. Até esta sexta-feira o número de desaparecidos chegava a 24.960, enquanto o deferidos era de 292.481. MIANMAR A região do sul de Mianmar (antiga Birmânia) sofre uma crise alimentícia que pode se estender ao resto do país, e a população local enfrenta ameaças de desnutrição e de uma crise de fome, a menos que receba alimentos de forma imediata. A advertência foi feita pela representação em Yangun da ONG francesa Ação Contra a Fome (ACF), uma das poucas agências internacionais de ajuda humanitária que receberam permissão do regime para trabalhar em Mianmar. Três semanas depois de o ciclone "Nargis" devastar o delta do rio Irrawaddy, de difícil acesso, a enorme destruição e a lentidão na resposta à emergência das autoridades, além do bloqueio de grande parte da ajuda externa, levaram povoados inteiros a não ter recebido ainda alimentos. "A situação é muito grave, eles precisam de comida com urgência", assinalou Franck Vanetelle, especialista em segurança alimentar da ONG francesa. DESTRUIÇÃO Vanetelle lembrou que nos primeiros dias depois da passagem do "Nargis", no povoado de Bogalay, onde 90% das casas foram destruídas, as rações de arroz já tinham se reduzido à metade. "Os pescadores perderam seus barcos e redes, os camponeses ficaram sem suas plantações e animais, não há alimentos e nem uma forma de obtê-los", explicou Vanetelle. As crianças são as mais vulneráveis à crise alimentícia, e em dois meses podem começar a morrer por causa do enfraquecimento de seus sistemas imunológicos. "O primeiro passo é a crise alimentícia, na qual já estamos, depois vem a nutricional, que precisa ser evitada imediatamente, e em seguida há a fome generalizada", comentou o técnico.