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MUNDO
Quarta-feira, 01 de Julho de 2015, 20h:18

REFERENDO/GRÉCIA

Premiê grego pede voto 'Não'

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, pediu ontem que os gregos votem pelo "Não" no referendo de domingo sobre o pacote de resgate oferecido pelos credores. O discurso foi feito para afastar especulações de que Tsipras estaria voltando atrás em relação ao plano, segundo as agências internacionais. O governo convocou um referendo para que o povo grego diga se aceita as exigências do FMI e dos credores europeus para receber ajuda financeira, como aumento de impostos e cortes na aposentadoria. A data escolhida para a consulta foi o dia 5 de julho. DISCURSO Em discurso transmitido pela TV ao país, Tsipras disse aos gregos que o "Não" no referendo não equivale à rejeição da Europa ou do euro e que, em vez disso, aumenta a pressão sobre os credores para que deem ao país um acordo economicamente viável e que leve a Grécia de volta aos mercados internacionais. O primeiro-ministro não aceita a proposta de ajuda financeira da Europa porque ela impõe mais medidas de austeridade, o que, segundo ele, aprofundaria a crise na Grécia. Tsipras afirmou na TV que o "Não" na consulta será um "passo decisivo para um acordo melhor". O primeiro-ministro disse que deseja a todo custo manter o país na zona do euro e que o governo grego "permanece na mesa de negociação e continuará até o fim". REFERENDO Pesquisa do jornal grego Efimerida ton Syntakton, realizada entre 28 e 30 de junho, aponta que 54% dos que planejam votar no referendo de domingo escolheriam o "Não" contra 33% que defenderiam o "Sim". Entretanto, uma comparação com resultados de entrevistas antes e após a decisão tomada pelo governo de fechar os bancos e impor controles de capital, mostra que a diferença entre os dois campos está diminuindo, destaca a agência Reuters. Já o Conselho da Europa declarou que o referendo convocado pelo governo grego não corresponde a seus padrões fixados. "É evidente que o prazo é muito curto a respeito de nossos padrões", afirmou Daniel Höltgen, porta-voz do secretário-geral do Conselho da Europa, Thorbjoern Jagland. FERIADO Tsipras afirmou ainda que o feriado bancário imposto na última segunda-feira é "temporário" e que os depósitos dos cidadãos estão garantidos. Os bancos ficarão fechados nesta semana e há limites para saques nos caixas eletrônicos. A decisão foi tomada porque, com a possibilidade de a Grécia atrasar o pagamento de uma parcela da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o país temia um colapso bancário. Assustados com a crise, gregos correram aos bancos para sacar seu dinheiro, o que poderia quebrar as instituições. A moratória foi confirmada na terça-feira, quando venceu a parcela de € 1,6 bilhão. O país é a primeira economia avançada a ficar em atraso com o FMI. Alexis Tsipras fez o pronunciamento poucas horas antes da reunião extraordinária de ministros de Economia e Finanças da zona do euro, via teleconferência, para analisar a última proposta grega ontem.

Edição EDIÇÃO 16964




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