Em uma entrevista publicada pelo jornal "El comércio", o ministro de Política Ricardo Patiño baixou o tom e fez coro à nota da chancelaria brasileira
O governo equatoriano buscou minimizar a tensão com o Brasil após a convocação do embaixador em Quito para consultas sobre o anúncio de calote do governo Rafael Correa ao BNDES. Em nota divulgada na noite de quinta-feira, a chancelaria equatoriana lamentou a decisão. "O governo do Equador reitera sua disposição para continuar mantendo as relações bilaterais no alto nível de amizade e cooperação que as caracterizam", diz o texto. JORNAL de Política Ricardo Patiño baixou o tom e fez coro à nota da chancelaria. "É um procedimento normal quando se preocupa com um caso específico", disse, sobre a convocação do embaixador. DECISÃO A decisão do governo brasileiro foi tomada depois que o Equador apresentou um processo de arbitragem na Câmara de Comércio Internacional em Paris para frear o pagamento do empréstimo contraído com o BNDES.O banco concedeu um empréstimo de US$ 286 milhões para financiar a construção da hidrelétrica de San Francisco. A convocação repercutiu ontem nos jornais equatorianos. Para o 'El Comercio', de Quito, as tensões entre os dois países ficaram mais agudas. O La hora destaca que os dois países estão a um passo do rompimento. A ATITUDE BRASILEIRA O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que o governo recebeu com muita preocupação a decisão do Equador de suspender o pagamento da dívida ao BNDES", afirmou Amorim durante breve declaração no final da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, em São Paulo. Por isso "chamamos nosso embaixador no Equador para consultas, e todo mundo que conhece algo de diplomacia sabe o que isto significa", destacou. A medida é o primeiro passo para o rompimento de relações diplomáticas. Em nota, o Itamaraty diz que a decisão foi anunciada em evento público sem prévia consulta ou notificação."O governo brasileiro considera que a natureza e a forma de adoção das medidas tomadas pelo governo equatoriano não se coadunam com o espírito de diálogo, de amizade e de cooperação que caracteriza as relações entre Brasil e Equador", acrescenta o texto. RESPONSABILIDADE Segundo o governo do Equador, a responsabilidade da dívida com o BNDES é da Odebrecht e não de Quito. Em nota, o Banco afirma que se dispõe a prestar apoio técnico necessário à legítima defesa dos interesses nacionais e lembra que a dívida, contraída no âmbito do Convênio de Crédito Recíproco, tem caráter "irrevogável e irretratável". "O não pagamento implica inadimplência do banco central devedor com os demais bancos centrais signatários do convênio.", diz o texto.