O líder opositor venezuelano Leopoldo López afirmou ontem que espera maior apoio e solidariedade do governo da presidente Dilma Rousseff em relação ao seu antecessor, o ex-presidente Lula, diante de casos de violações de direitos humanos em seu país. De passagem pelo Brasil, López se mostrou otimista com o compromisso da presidente em colocar os direitos humanos no centro da política externa brasileira. "Sim, nós esperamos que exista maior compreensão (...) [do governo da presidente Dilma]. Não somente [em relação ao] intercambio econômico, mas também que se assuma a luta pela democracia e pelos direitos humanos. A presidenta Dilma Rousseff foi uma lutadora pela democracia, ela viveu na própria carne a perseguição. Muitos do que hoje governam no Brasil foram também inabilitados", afirmou López em coletiva de imprensa. Ex-prefeito de Chacao, na área metropolitana de Caracas, o oposicionista teve seus direitos políticos suspensos pela Controladoria Geral da Venezuela em 2008, sob acusação de desvios de verbas --não houve uma sentença judicial definitiva. A Corte Interamericana de Direitos Humanos exigiu sua reabilitação política, mas integrantes do governo venezuelano já mostraram disposição em não reconhecer a decisão. López comparou a resistência do governo de Hugo Chávez à reação da ditadura militar no passado. "Seria fazer o mesmo que fizeram, em seu momento, a ditadura militar no Brasil, Pinochet no Chile, Fujimori no Peru. Colocar-se à margem dessa decisão não é qualquer coisa", criticou. López comparou o atrito entre oposicionistas e chavistas a "uma luta Davi contra Golias". No Brasil, ele seguiu uma agenda de compromissos em São Paulo e Brasília, com encontros com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente do Senado Federal, José Sarney (PMDB-AP) e com congressistas da Comissão de Relações Exteriores das duas Casas. Segundo ele, não foi solicitada nenhuma audiência com integrantes do governo da presidente Dilma.