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MUNDO
Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011, 20h:32

GRÉCIA

Novo governo obtém voto de confiança

O novo governo de coalizão da Grécia conquistou ontem, com ampla maioria, o voto de confiança do Parlamento. A moção foi aprovada por 255 deputados e rejeitada por 38 de um total de 300 parlamentares, dos quais 293 participaram da votação. A aprovação garante o apoio folgado ao novo governo, formado por três partidos - socialista, conservador e ultradireita -, que foi designado na semana passada sob a pressão dos credores da Grécia. Representa também um apoio à promessa do novo primeiro-ministro, Lucas Papademos, de acelerar as reformas de longo prazo exigidas para garantir um acordo sobre o plano de resgate do país, que está à beira da falência. Após a votação, o premiê agradeceu "a todos os deputados que apoiaram o governo e deram um voto de confiança". "Eu acredito que cada um desses votos representa uma decisão responsável para evitar colocar nossa permanência na zona do euro em risco", completou Papademos. Antes do voto de confiança, o novo primeiro-ministro solicitou aos deputados que apoiassem a "tarefa titânica" que o Executivo tem para organizar a economia do país evitar a Grécia de sair do euro. "Cada um dos votos a favor equivale a uma decisão responsável para que não fique em risco a permanência da Grécia na zona do euro e para o progresso da economia", disse Papademos. "Os problemas piorarão se a Grécia não participar da zona do euro", afirmou o premiê, ao se referir às consequências de uma eventual saída da união monetária. "Com o voto favorável, o novo governo assumirá uma tarefa titânica que requer sangue frio", afirmou o novo chefe do Executivo. Ontem, Papademos, um ex-vice-presidente do Banco Central Europeu, esteve reunido com Charles Dallara, do Instituto Internacional de Finanças, uma organização internacional de banqueiros que está negociando o perdão voluntário da dívida grega. Durante sua visita a Atenas, Dallara também deverá se encontrar com o ministro da Economia, Evangelos Venizelos, e funcionários grego deverão negociar por telefone com banqueiros de Paris e Frankfurt sobre a redução da dívida acordada no mês passada em Bruxelas. AUSTERIDADE O mandato do novo governo deverá ratificar o segundo plano de resgate do país, firmado em outubro com os membros da zona do euro. O plano consiste em um novo aporte no valor de € 130 bilhões e no perdão de 50% da dívida do país. Além disso, a Grécia precisará adotar novas medidas de austeridade exigidas pela União Europeia e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) para liberar até 15 de dezembro a sexta parcela de € 8 bilhões de ajuda, referente ao primeiro plano de resgate do país. Apesar de um acordo fechado entre os dois grandes partidos do país, o socialista Pasok e o conservador Nova Democracia, a presença da extrema-direita no Executivo e a necessidade de o novo governo adotar medidas impopulares de austeridade já gerou críticas entre deputados das duas formações majoritárias. Alguns parlamentares conservadores criticam o desgaste que significará apoiar os cortes de um gabinete formado majoritariamente por socialistas, enquanto legisladores do Pasok demonstraram seu mal-estar com o fato de a direita radical ter uma pasta no governo.

Edição EDIÇÃO 16959




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