Muito pressionado, filho de Khadafi propõe eleições
O líder líbio Muammar Khadafi está disposto a promover eleições e renunciar se for derrotado, disse um filho dele ontem. A ideia tem poucas chances de acalmar seus adversários, mas pode testar a união da aliança ocidental que procura forçá-lo a deixar o poder. "As eleições poderiam acontecer em três meses. No máximo até o final do ano, e a garantia de transparência seria a presença de observadores internacionais", disse Saif al-Islam, um dos filhos de Khadafi, ao jornal italiano Corriere della Sera. Ele disse que seu pai, que chegou ao poder no mesmo ano em que o homem pisou na Lua, se disporia a renunciar se perdesse a eleição, mas não se exilaria. A proposta - que foi feita após uma série de concessões oferecidas pelo líder líbio e que potências ocidentais tacharam de meros artifícios - vem num momento em que cresce a frustração em alguns membros da Otan com o progresso da campanha militar. Quatro meses depois do início do conflito na Líbia, os avanços dos rebeldes em direção a Trípoli são lentos, na melhor das hipóteses, enquanto semanas de ataques aéreos da Otan ainda não conseguiram pôr fim aos 41 anos de governo de Khadafi no país petrolífero. Intensificando a pressão sobre a Otan, Rússia e China divulgaram um comunicado conjunto sublinhando suas preocupações com os ataques aéreos. A declaração foi assinada em Moscou pelos presidentes dos dois países, Dmitri Medvedev e Hu Jintao. "ANIMAL ENJAULADO" O site de vazamento de informações WikiLeaks divulgou ontem um vídeo sobre as condições da prisão domiciliar de seu fundador, Julian Assange. No vídeo, seus apoiadores dizem que ele vive como um animal enjaulado e sugerem que o governo britânico está espionando a casa. Assange completou ontem seis meses de prisão domiciliar em uma casa no condado de Norfolk, enquanto luta contra a extradição para a Suécia por acusações de crimes sexuais, os quais nega. Ele deve ir todos os dias para a delegacia para comprovar seu paradeiro. No vídeo, intitulado "Prisão Domiciliar", o WikiLeaks mostra uma das três câmeras instaladas nos arredores da residência Ellingham Hall, colocadas depois da sentença de Assange.