O governo da Líbia ameaçou ontem alterar suas relações com os Estados Unidos caso não receba um pedido de desculpas pelos comentários irônicos do porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, sobre o ditador Muamar Kadafi. Na semana passada, Crowley foi questionado sobre a incitação de Kadafi à jihad (guerra santa) contra a Suíça pela proibição da construção de minaretes (grandes torres que ornamentam mesquitas) no país europeu. O porta-voz respondeu que isso lembrava o discurso do líder líbio na Assembleia Geral da ONU, em setembro passado. "Lembro-me de muitas palavras e papéis voando, mas não necessariamente com muito sentido", afirmou Crowley, em referência ao desconexo discurso do líder líbio. A Líbia convocou nesta quarta o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA em Trípoli, Joan Polaschik. Depois, comunicou sua "indignação" pelas palavras "degradantes" de Crowley e advertiu que isso pode ter efeitos negativos caso Washington não se desculpe. Os suíços aprovaram em novembro passado em plebiscito a proibição da construção de minaretes, de modo que as novas mesquitas não poderão ter tal símbolo. Suíça e Líbia mantêm há mais de um ano uma grave crise em suas relações originada pela detenção de um dos filhos de Kadafi, em julho de 2008, em Genebra. Na ocasião, ele foi acusado de maltratar empregados.