Khadafi se diz no poder e que Líbia vive um teatro
RENATA GIRALDI
Da Agência Brasil Brasília
Em mensagem transmitida ontem pela rede de televisão síria Arrai, o presidente da Líbia, Muammar Khadafi, disse que o que ocorre no país é uma fantasia e apelou para que os líbios não acreditem que há um outro regime em vigência na região. O que se passa na Líbia é um teatro que só é possível graças aos bombardeios aéreos que não durarão eternamente, disse Kadhafi. A mensagem é apenas de voz. Não há imagens do líder que se encontra desaparecido desde que o Conselho Nacional de Transição (CNT) dominou Trípoli e as principais cidades da Líbia, na segunda quinzena de agosto. Não acreditem que um regime foi deposto e que um outro foi imposto com a ajuda dos ataques aéreos e marítimos, acrescentou ele. PODER Em seguida, Khadafi disse ser difícil depor o regime porque representa milhões de líbios. Segundo ele, todas as tribos líbias informaram à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que o órgão não representa o povo líbio. O único poder legítimo é o do povo e dos comitês populares e qualquer outro [poder] é nulo e ilegítimo, disse ele. Em mensagem anterior, de 8 de setembro, também apenas sonora e transmitida pela Arrai, Khadafi condenou o que chamou de guerra psicológica e mentiras. Ele se referia às especulações de que pretendia fugir para o Níger. A mulher dele e três filhos pediram abrigo no país vizinho. MORTOS A "revolução" líbia que derrubou o ditador Muammar Khadafi deixou 25 mil mortos, afirmou nesta terça-feira Mustafa Abdul Jalil, presidente do CNT (Conselho Nacional de Transição), na ONU. O líder agradeceu à ONU e aos países que ajudaram na luta dos combatentes do novo regime, e prometeu que os membros leais a Khadafi receberão um "julgamento justo". "Nós perdemos 25 mil mártires, e há o dobro de feridos", declarou Abdul Jalil para o presidente Barack Obama, o presidente francês Nicolas Sarkozy, o secretário geral da ONU Ban Ki-moon e para outros líderes durante uma reunião dos "Amigos da Líbia" à margem da Assembleia Geral da ONU.