Israel não irá atender o apelo do presidente americano Barack Obama para suspender a construção de assentamentos na Cisjordânia para a criação de um futuro Estado Palestino, disseram oficiais do governo israelense ontem à agência Associated Press. A posição entra em conflito com a mudança de política proposta por Obama em seu discurso no Cairo, realizado na quinta-feira, que pedia o fim do assentamentos. De acordo com os oficiais, o governo planeja permitir construções dentro dos assentamentos existentes para acomodar as famílias judias que não param de crescer. Obama afirmou que os EUA não reconhecem a legitimidade desses assentamentos, pedindo também aos palestinos que cessem a violência na região. Em sua visita à Alemanha ontem, o presidente americano voltou a pedir que Israel interrompa as construções na Cisjordânia. Ele também pressionou para a criação de um Estado Palestino, dizendo que "este é o momento para nós agirmos." CONFLITO A posição conflita com as do novo premiê de Israel, o direitista Benjamin Netanyahu, que se recusa a apoiar a criação do Estado palestino ou a interromper a construção de assentamentos. Após o discurso de Obama, o governo israelense divulgou um cuidadoso comunicado, no qual dizia esperar que as palavras do líder americano levem a um "novo período" de reconciliação no Oriente Médio, sem afirmar nada sobre as exigências de Washington. Agora, Netanyahu será forçado a escolher entre apoiar os pedidos de Obama para uma nova política no Oriente Médio, e arriscar bater de frente com sua coalizão direitista de governo, ou rejeitar a visão dos EUA e desafiar o principal aliado de Israel. "Benjamin Netanyahu terá que tomar uma decisão em breve. É 'sim' ou 'não' para Obama", escreveu o colunista Ben Caspit no jornal israelense Maariv. Até o momento, há poucas indicações de que Obama dirá "sim". "Com todo o respeito a Obama, e a profunda amizade entre Israel e os EUA, nenhum líder exterior de outro país irá determinar as políticas na Judeia e Samaria", disse o deputado Ofir Akonis, membro do Likud, partido de Netanyahu. Judeia e Samaria são os termos hebreus para se referir à Cisjordânia.