A retomada das negociações com o Irã ocorre no momento em que o país é alvo de uma série de sanções impostas pela maior parte da comunidade internacional
IVANIR JOSÉ BORTOT e RENATA GIRALDI
Da Agência Brasil Brasília
A duas semanas de o Grupo de Viena formado pelos Estados Unidos, a França, a Rússia e a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) retomar as negociações com o Irã em torno do desenvolvimento do programa nuclear, o governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, quer o Brasil como mediador para o fim do impasse com a comunidade internacional. Em entrevista à Agência Brasil, o embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, disse que os iranianos vão insistir que o acordo sobre a troca de urânio seja a base das negociações, sem a possibilidade de substituí-lo. Para Shaterzadeh, a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajudou a reforçar o papel relevante que os países em desenvolvimento desempenham no cenário internacional. A presença do Brasil trouxe uma esperança e um suporte para os países em desenvolvimento, disse ele, sem mencionar as suspeitas da comunidade internacional de que o programa nuclear do Irã produza secretamente armas atômicas. As suspeitas são negadas pelas autoridades iranianas. O embaixador acrescentou que a base das negociações é a Declaração de Teerã [nome oficial do acordo que determina a troca de urânio pouco enriquecido pelo material enriquecido a 20%]. A Declaração de Teerã deverá ser lembrada na história mundial. A retomada das negociações com o Irã pelo Grupo de Viena ocorre no momento em que o país é alvo de um série de sanções impostas pela maior parte da comunidade internacional. A adoção das sanções foi definida três semanas e meia depois de negociado o acordo para a troca de urânio. Inicialmente, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fixou as restrições, depois vieram os Estados Unidos, a União Europeia e o Canadá. As medidas restringem eventuais acordos e negócios, principalmente nas áreas militar e comercial. No entanto, Shaterzadeh disse que a solução para encerrar a polêmica em torno da questão nuclear iraniana está na declaração firmada em 17 de maio, em Teerã. Na ocasião, Ahmadinejad assinou o acordo sobre a troca de urânio na presença de Lula e do primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan. Para o embaixador, é necessário apenas definir alguns ajustes para a adoção do texto.