MUNDO
Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012, 19h:28
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ESTREITO DE HORMUZ
Fechamento causaria uma resposta direta dos Estados Unidos
As ações militares na região são mais um capítulo de que o aumento da tensão entre o Ocidente e Irã vem crescendo, devido ao programa nuclear do país islâmico
O governo liderado por Barack Obama está usando um canal secreto de comunicação para alertar o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, que fechar o estreito de Hormuz seria cruzar uma "linha vermelha" e provocaria uma resposta direta americana, de acordo com uma reportagem de ontem do jornal "New York Times". Citando fontes do governo americano, o veículo diz que ainda não se sabe se houve uma resposta por parte do líder iraniano. No domingo passado, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, afirmou que as autoridades americanas não deixariam o Irã desenvolver armas nucleares ou bloquear o estreito de Ormuz, área chave para o transporte do petróleo do Oriente Médio. As ações militares são mais um capítulo do aumento da tensão entre o Ocidente e Irã vem aumentando, devido ao programa nuclear do país islâmico. "Para nós, a linha vermelha para o Irã é não desenvolver uma arma nuclear, bem como bloquear o estreito de Ormuz", defendeu, durante entrevista à emissora de TV americana CBS. "Eles precisam saber disso: se eles derem esse passo, eles serão impedidos". Anteontem, Panetta reforçou o alerta em discurso a tropas no Texas, afirmando que os Estados Unidos não tolerariam o fechamento do estreito de Hormuz. O canal secreto de comunicação, afirma o "NYT", foi escolhido para destacar em particular ao Irã a profundidade da preocupação americana sobre o aumento das tensões no estreito, onde membros da Marinha dos EUA dizem temer que a Guarda Revolucionária iraniana faça algo provocativo por conta própria, dando início a uma crise maior. "Se você me perguntar o que me mantém acordado à noite, é o estreito de Hormuz, e as negociações em curso no Golfo Pérsico", afirmou o almirante Jonathan W. Greenert, chefe de operações navais. Autoridades americanas e analistas do Irã disseram acreditar que as ameaças iranianas de fechar o estreito não são sérias e representam uma tentativa de elevar o preço do petróleo. Bloquear o estreito barraria também o caminho para boa parte das importações e exportações do Irã, o que equivaleria a um suicídio econômico. A tensão cresceu entre Teerã e Washington desde o começo do mês, após a advertência iraniana sobre a presença da Marinha americana no Golfo enquanto realizavam manobras militares, despertando temores sobre o eventual fechamento do estreito de Hormuz. Washington advertiu que manterá seus navios de guerra mobilizados no Golfo, enquanto a Casa Branca considerou que as advertências do Irã demonstravam sua "debilidade" e a eficácia das sanções aplicadas contra o país por impulsionar seu polêmico programa nuclear. SANÇÕES O último relatório da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) fez com que EUA, Canadá, Reino Unido e outros países da UE (União Europeia) aumentassem as sanções econômicas contra o Irã. O texto sugeria que o país tentava fazer armas nucleares. Teerã disse que o relatório era baseado em informações falsas de órgãos de inteligência ocidental e defende que o programa é inteiramente pacífico, e será usado na produção de energia e tratamentos médicos. Com isso, o Irã vem fazendo ameaças à navegação internacional que assustaram o mercado de petróleo. Em dezembro, o país começou dez dias de exercícios no estreito de Hormuz, o que gerou a fúria nos EUA e a alta do preço do óleo bruto.