MUNDO
Terça-feira, 12 de Agosto de 2014, 19h:13
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EBOLA
Comitê da OMS aprova uso de medicação experimental
O Comitê de Ética da OMS (Organização Mundial da Saúde) aprovou em uma reunião na segunda-feira o uso de tratamentos não homologados para lutar contra a febre hemorrágica do ebola, segundo um comunicado divulgado ontem. "Diante das circunstâncias da epidemia e sob certas condições, o comitê concluiu que é ético oferecer tratamentos - cuja eficácia ainda não foi demonstrada, assim como os efeitos colaterais - como potencial tratamento ou de caráter preventivo", afirma a nota da OMS. Até o momento não existe nenhum tratamento licenciado ou vacina contra o vírus ebola. O uso do medicamento experimental ZMapp em dois americanos e um padre espanhol -que morreu nesta terça-feira em Madri- infectados com o vírus quando trabalhavam na África provocou um intenso debate ético. O medicamento, do qual existe pouca quantidade, parece apresentar resultados promissores nos dois americanos, embora não tenha salvado o espanhol. MÉDICOS A droga experimental deve ser enviada a dois médicos da Libéria depois que as autoridades dos Estados Unidos aprovaram sua exportação, segundo o governo disse ontem. A empresa americana Mapp Biopharmaceutical, que produz o medicamento, informou na segunda-feira que enviou o estoque para o oeste da África. "É provável que o número de doses disponíveis para um estudo mais aprofundado ou para implantação no final de 2014 continuará a ser insuficiente para atender a demanda", disse o comunicado. Em suas conclusões, os especialistas consideraram que as circunstâncias são excepcionais e que o uso de remédios que ainda estão em desenvolvimento nos laboratórios pode ser justificada, sempre e quando seguir critérios éticos. "Surtos de ebola pode ser contidos por meio de intervenções disponíveis, como a detecção precoce e isolamento, rastreamento de contato e monitoramento, e adesão a procedimentos rigorosos de controle de infecção", disse o Comitê. "No entanto, um tratamento ou vacina seria um trunfo poderoso para combater o vírus." EPIDEMIA Médicos de todo o mundo participaram nos debates da OMS na segunda-feira em Genebra sobre o uso de tratamentos não homologados. O comitê condicionou o uso dos tratamentos a uma "transparência absoluta sobre os cuidados, a um consentimento informado, à liberdade de escolha, à confidencialidade, ao respeito das pessoas e a preservação da dignidade e a implicação das comunidades". Também estabeleceu "a obrigação moral de obter e compartilhar as informações sobre segurança e eficácia das intervenções", que devem ser objeto de avaliação constante.