As forças internacionais não devem prever sua retirada do Afeganistão no futuro próximo, disse ontem o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, acrescentando que a nova estratégia dos EUA para o país é realista. Oito anos após a invasão liderada pelos EUA para expulsar o Taliban do governo, os EUA, a Otan e outros aliados não estão conseguindo reprimir a insurgência crescente no país muçulmano. "Em minha opinião, será preciso permanecer no Afeganistão pelo futuro previsível", disse De Hoop Scheffer a jornalistas em Bruxelas, comentando que até agora tem visto "reações positivas" à nova estratégia anunciada pelo presidente Barack Obama na semana passada. CRONOGRAMA Obama não fixou um cronograma para seu plano de guerra revisto, mas deslocou o foco da ação para o treinamento das forças de segurança do próprio Afeganistão e disse que os Estados Unidos não vão "seguir cegamente o rumo seguido até agora". De Hoop Scheffer saudou a decisão de concentrar-se em derrotar os militantes da Al Qaeda, em lugar do plano mais ambicioso da administração Bush de construir a democracia no Afeganistão. "Acho que o plano de Obama é realista quanto ao que pode ser realizado", disse De Hoop Scheffer. "Ou seja, não poderemos converter o Afeganistão numa Suíça em poucos anos."