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ILUSTRADO
Sexta-feira, 20 de Março de 2009, 21h:31

CD

Wagner Tiso vai de clássicos de jazz e samba

Lauro Lisboa Garcia
Agência Estado
A elegância dá a tônica ao CD "Samba e Jazz", que o pianista, compositor e arranjador mineiro Wagner Tiso lança ao lado de um elenco estelar de instrumentistas, com direito a shows em São Paulo. Com esse magistral registro, Tiso fecha uma trilogia em torno de suas principais referências musicais, iniciada em 1997 com "Debussy e Fauré Encontram Milton e Tiso". "Comecei com música clássica porque minha mãe era professora de piano clássico", diz o músico "Embora não tenha estudado com ela eu ouvia aquilo tudo. Fiz então um paralelo do impressionismo, no caso, com o barroco mineiro. São coisas importantes da minha vida." O segundo passo foi "Tom Jobim e Villa-Lobos" (2000), ao lado do Rio Cello Ensemble, como o primeiro. "Eles foram minhas grandes influências quando cheguei ao Rio de Janeiro, aos 18 anos, um na música popular, outro na erudita." Faltavam só as referências das "coisas mundanas" que ele viveu tocando em boates. "Quando cheguei a Belo Horizonte, aos 16 anos, tive contato maior com o jazz propriamente dito, passei a conhecer os grandes instrumentistas", lembra. "Até então ouvia uma coisa ou outra, Frank Sinatra, big bands, Ray Charles." Das diversas categorias de jazz, Tiso revisita agora o som das big bands, John Coltrane, Jon Hendricks, Miles Davis, Jerome Kern, Vernon Duke. Os sambas de "altíssima qualidade", que eram os de meio de ano, desvinculados do carnaval, ele também conheceu melhor no Rio. Dessa vertente, Tiso escolheu para interpretar agora um mineiro (o Ary Barroso de "Inquietação" e "É Luxo Só") e os outros cariocas: Chico Buarque ("Samba do Grande Amor"), Nelson Cavaquinho ("Folhas Secas"), Paulinho da Viola ("Quando o Samba Chama"), Zé Ketti ("Opinião") e Sinhô (o inédito samba amaxixado "Volta a Palhoça", que abre o CD com vigor). Tiso procurou não criar nenhum arranjo de samba-jazz ou jazz-samba, mas demarcar os estilos separada e alternadamente, embora estabeleça relações não só na origem comum entre os escravos, na transformação pela influência europeia ou mesmo no ano da primeira gravação de cada gênero, 1917. "Na linha melódica e harmônica a música de Nelson Cavaquinho se parece muito com 'Solar', de Miles Davis", exemplifica. Os shows (ontem e hoje) têm todos os temas do CD além de outros que Tiso cultiva em anos de parceria com os convidados Nivaldo Ornelas, Victor Biglione, Nicolas Krassik e Paulo Moura. Além deles participam do disco em atuações e arranjos primorosos Hermeto Pascoal e Hamilton de Holanda. A banda do CD e do show tem Lula Galvão (violão) e Mingo Araújo (percussão), entre outros, além de Carlos Prazeres (oboé), em participação especial. É luxo só.

Edição EDIÇÃO 16964




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