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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 27 de Outubro de 2012, 19h:19

RESENHA

Villa-Lobos e as obras para ao violoncelo

Uma conversa exatamente em torno de coletânea especialíssima de obras do notável compositor brasileiro dedicadas ao violoncelo

Ney Arruda*
Especial para o Diário de Cuiabá
Tenho em clara consideração que o Jornalismo Cultural exige de seus adeptos muita disciplina. Para pesquisar boas informações e escrever textos originais. Transmitir ao leitor subsídios úteis sobre as Artes. De outra forma, como poderia o crítico de cinema, comentar um filme. Sem tê-lo assistido? Assim o labor ativista do Jornalismo Cultural cobra tempo e bons contatos. Pouco tempo atrás um querido amigo me enviou pelo correio tradicional uma correspondência e não um email de bobagens. Eu tenho verdadeira admiração há muitos anos por ele. Trata-se do professor Antonio de Pádua Guerra Vicente. Violoncelista profissional residente na capital federal e membro ativo do Quarteto de Cordas de Brasília. Ele me remeteu uma joia rara no formato de dois CDs. O nome do álbum foi muito bem escolhido: “Villa-Lobos and the cello”. É exatamente uma coletânea especialíssima de obras do notável compositor brasileiro dedicadas ao violoncelo. No CD número 01 podemos escutar com destaque a Bachianas n.o 01 para orquestra de cellos – 1.o Movimento: “Embolada”, 2.o Mov. “Modinha”, 3.o Mov. “Conversa”. Escrita em 1930 e dedicada ao cellista catalão Pablo Casals. A primeira vez que ouvi, senti meus olhos umedecerem em lágrimas. Tamanha minha emoção em querer ouvir e conhecer melhor a obra de Heitor Villa Lobos (1887 – 1959). Coisa rara em terras onde predomina o intoxicante sertanejo “sentimentalóide”. A Bachiana é peça que nos remete ao coração dedicado da Selva Amazônica. Coração ofertado à Brasilidade. Nossos sentimentos nacionais mais originais. Nossa cultura musical índia, cabocla, cafuza, mameluca, negra e branca. A curiosidade fica por conta de que todas as 08 vozes de cello foram gravadas pelo Prof. Guerra Vicente em seu Estúdio GLB. Numa experiência semelhante realizada décadas atrás pelo violinista russo Jasha Heiftz. O qual gravou as duas vozes do concerto de Johann Sebastian Bach para dois violinos e cordas. A idéia de Bachianas é uma homenagem a Bach. Villa utilizou-se da fórmula de contraponto e harmonia do músico alemão para compor. Já no CD número 02 as delícias da Música de Câmara são distintas. Na abertura temos a obra: “Dois Choros (Bis)” – para violino e violoncelo – 1.o Movimento: “Moderé”, 2.o Mov.: “Lent”, 3.o Mov.: “Animé”. Obra escrita em 1928. Parece deter alguma influência francesa, a julgar pelo uso do vernáculo na língua de Ravel. Que, aliás, escreveu um duo para violino e cello também. Interpretam os instrumentistas Ludmila Vinecka (violin) e Antonio Guerra Vicente (violoncello). É uma obra que demonstra toda a riqueza melódica de Villa-Lobos além de sua competência para escrever a virtuoses. Vez que não se trata de música para amadores, como eu. A seguir algo genial. A obra Assobio a Jato (“The Jet Whistle”) para flauta e violoncelo. Assim estruturada: 1.o Movimento: “Allegro no troppo”, 2.o Mov.: “Adagio” e 3.o Mov.: “Vivo”. Interpretam Luciana Morato (flute) e Antonio Guerra Vicente (violoncello).Composta em 1950 em Nova Iorque. Villa estava hospedado na casa do flautista Carleton Sprague Smith, a quem dedicou à obra. Heitor o ouvia soprar no instrumento pela manhã. A fim de esquentá-lo, emitindo então um som semelhante a um sibilo. Esse efeito aparece no final do terceiro movimento, com jatos de ar, imitando assobios. Há outras obras. Mas delas vocês saberão apenas se comprarem o maravilhoso tributo ao nosso mais reconhecido compositor no mundo. Congratulações ao dileto Mestre Guerra Vicente! SERVIÇO: O QUE: CD de Música Brasileira de Câmara TÍTULO: “Villa-Lobos and the cello” ONDE: http://www.estudioglb.com.br/ *Ney Arruda – advogado, professor universitário, músico cuiabano violinista e violista ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16959




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