ILUSTRADO
Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010, 20h:40
A
A
AUDIOVISUAL
Seda emplaca sua quinta edição
Estamos em um período bem especial aqui em Cuiabá. Especial como Grito Rock, como Festival Calango. E a SEDA - Semana do Audiovisual, que assim como os eventos citados, começou em Cuiabá e se alastrou pro Brasil via Circuito Fora do Eixo. Essa é a quinta edição da SEDA Cuiabá. Ney Hugo (Macaco Bong) conta que participou de duas, a primeira foi em 2007, quando emplacamos um clipe colaborativo do Macaco Bong (o Kayapy de travesti é irresistível, rs), e um documentário metalingüístico retratando a própria Seda. Quem ministra a oficina da Seda desse ano é a atriz e realizadora Thaís Dahas, de Fortaleza(CE), que se aproximou do Clube de Cinema Fora do Eixo após produzir o clipe Vamodahmaisuma, do Macaco Bong. Ela é membro do grupo Teatro Vitrine, tendo contribuído nos trabalhos do grupo principalmente com atuação e trilha sonora original. Em cinema, realizou alguns vídeos e trabalhou como atriz em filmes que circularam em festivais, nacional e internacionalmente. Graduou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (2010/1). É formada, também, pela Escola de Audiovisual de Fortaleza (2009) e pelo Curso de Arte Dramática - CAD (2006), ambos cursos técnicos da UFC. E como faz parte da organicidade da rede, a Seda tem sido uma experiência de construção coletiva e protagonismo dos envolvidos. A idade dos participantes varia entre 12 e 55 anos, com leigos, iniciados e experientes, exatamente como é a proposta da Seda. Um dos jovens mais antigos é o diretor do MISC Ivan Belém, experiente profissional do audiovisual mato-grossense. A troca, segundo Ney Hugo, tá sendo incrível, quem é mais experiente conta como foi viver a transição do rádio pra TV, conta do sucateamento dos equipamentos, que jamais foram renovados, e que só agora estão havendo políticas públicas pra recuperar o tempo perdido. Quem é novo fica encantado com a possibilidade da produção de bons filmes com poucos recursos, se equiparando qualitativamente às mega-produções hóliúdianas sem argumento. Não teve uma só pessoa que não participou, que não fez fala. Tamo djunto e mixturado completa o Ney Hugo do Macaco Bong. Thaís Dahas deu um breve histórico do cinema, onde talvez o ponto mais importante é que no começo o cinema era uma ciência e não arte. Parte-se da descoberta que as imagens colocadas em seqüência (24 frames por segundo) fazem o cérebro humano entender como movimento. Vale ressaltar também o detalhe que roteiro não é literatura. Como diria o roteirista e cineasta Felipe Bragança a função do roteiro é desaparecer no filme. Nesse clima, as equipes se dividiram em 3 vídeos: Clipe da banda Maria Albina - João, guitarrista da banda, está participando da oficina, e emplacou o clipe, mantendo a tradição de toda Seda produzir clipe de uma banda da cena. Documentário falso de um ano do Shake Shake Ur Ass - A festa foi criada ano passado, exatamente durante a Seda e foi balada de sucesso em 2010. A linguagem de documentário falso englobará o retrato da festa com contextos reais e ficcionais. Documentário sobre direito à moradia - Serão aproveitadas imagens e depoimentos colhidas em Belo Horizonte durante o Festival Transborda, que teve como uma das ações o Aborda, investindo na transversalidade das artes. A programação abordava também uma visita à comunidade Dandara, que há um ano e meio ocupa uma área outrora improdutiva (com 40 anos de IPTU atrasado) e lutam pelo direito de permanecer no local. Também serão colhidos imagens e depoimentos no bairro cuiabano São João Del Rei. (Com Assessoria)