ILUSTRADO
Sábado, 03 de Setembro de 2011, 12h:15
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MOSTRA
Populares e modernos
Resgatar o espírito de animação cultural é uma proposta pretendida com o evento Panorama das Artes Plásticas em MT...
Martha Baptista
Da Reportagem
As artes plásticas em Mato Grosso viveram um momento efervescente nas últimas décadas do século passado. Parte dessa animação cultural aconteceu em torno do programa desenvolvido pelo Museu de Arte e Cultura Popular (MACP) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em parceria com a Fundação Cultural. É esse espírito que se quer resgatar com a exposição Panorama das Artes Plásticas em Mato Grosso Populares Modernos, aberta no Pavilhão das Artes (no Palácio da Instrução, no Centro), esta semana. Obras de 10 artistas populares na essência, modernos na estética, segundo o pintor Gervane de Paula - que assina a curadoria com Lúcia Moreira de Almeida -, podem ser (re)vistas na exposição. São eles: Alcides Pereira dos Santos, Antônio Pereira da Silva (Sitó), Clínio Moura, Paulo Pereira da Silva, Osvaldina dos Santos, Paulo Pires, Roberto de Almeida, Eugênia Vieira, Lupércio dos Anjos e Nílson Pimenta. Alguns são pintores, outros escultores; alguns trabalham com pedras de arenito, outros com argila, madeira (MDF), tintas e pincéis; alguns estão vivos e ativos, outros já deixaram este mundo; alguns são mato-grossenses, outros viram sua arte florescer no Estado adotado como moradia. O que une esses artistas tão diversos no uso de materiais e das técnicas? São todos artistas bem resolvidos, que conhecem muito bem o seu ofício. A obra deles é popular e moderna, comenta Gervane. Ele acrescenta que, além de serem criativos, os artistas escolhidos para a exposição mantém uma relação com a natureza e fazem uma arte ligada ao inconsciente e ao sonho. HOMENAGEM A proposta inicial da exposição - inaugurada esta semana, com o apoio do Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura - Fundo Estadual de Fomento à Cultura era homenagear os pintores Alcides dos Santos, Osvaldina dos Santos, Paulo Pereira da Silva e o ceramista Clínio Moura, todos já falecidos. Porém, também era propósito e responsabilidade da curadoria apresentar o dinamismo dos artistas que estão vivos e suas produções recentes. Por isso, à lista inicial de artistas foram acrescentados os pintores Nilson Pimenta e Sitó, os escultores Roberto de Almeida e Paulo Pires, a ceramista Eugênia Vieira e o objetista Lupércio dos Anjos. As obras expostas estão distribuídas em várias salas do Pavilhão das Artes. Na primeira, estão as pinturas do ex-pedreiro baiano Alcides Pereira dos Santos, que migrou para o interior de Mato Grosso aos 18 anos e só aos 44 anos chegou a Cuiabá. Na opinião de Gervane, os quadros de Alcides (alguns de acervos particulares e outros da Secretaria Municipal de Cultura) são um dos destaques da exposição. E uma oportunidade para o público reencontrar a obra de um artista que se fez pintor em Mato Grosso (no Ateliê Livre da Fundação Cultural), teve seu talento reconhecido num grande centro (em São Paulo, onde morreu aos 75 anos, três dias depois de inaugurar sua segunda mostra individual) e hoje seus quadros têm os melhores preços no mercado, conta o curador. Na mesma sala estão pinturas (óleo sobre tela) de Osvaldina dos Santos (1931-2010), que mostram com muitas cores flagrantes do cotidiano cuiabano como em O Bonde e símbolos da religiosidade como em Esmola do Senhor Divino e São Benedito.