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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 20 de Julho de 2010, 20h:31

DANÇA

Pena que cocar não tem

Espetáculo enseja uma ação concreta em torno da atual produção em dança contemporânea na capital mato-grossense. Quem encena é o Grupo Casa

Após a apresentação do espetáculo “Pena Que Cocar Não Tem” na segunda edição do Panorama Sesc de Dança (abril/2010) - uma ação traçada para evoluir diálogos sobre a atual produção em dança contemporânea na cidade de Cuiabá (MT) - o Grupo Casa – Artes do Corpo, realizou três apresentações desse espetáculo em Campo Grande (MS), três em Campinas (SP) e, nos dias 21 e 23 de julho, realizará quatro apresentações no SESC Arsenal, em Cuiabá. O espetáculo é o primeiro trabalho de dança produzido em Mato Grosso a ser contemplado com o Prêmio FUNARTE de Dança Klauss Vianna. Além do Prêmio da Funarte – edição 2009 – Pena Que Cocar Não Tem conta com recursos do Fundo Estadual de Fomento à Cultura de Mato Grosso (2010) e com outros apoiadores do setor privado. “Estes incentivos possibilitaram a ampliação de nossa imersão na complexa experiência de esculpir um espetáculo que se propõe a entrelaçar linguagens artísticas diversas, bem como a circulação deste trabalho, o que, esperamos, potencialize outra imersão: desta vez, na experiência transformadora de compartilhar nosso processo de criação”, enfatizam as artistas do Grupo Casa. O espetáculo O espetáculo é constituído por cenas que dialogam com aspectos da arte de Clóvis Irigaray. “Nossa idéia não é contar uma história desta arte, mas fazer aparecer na Arte novas possíveis traduções de Irigaray”, ressalta Danielle Milioli, uma das intérpretes-criadoras do grupo. A pesquisa sobre este artista plástico mato-grossense - telas, fotos de telas e do artista, desenhos, entrevista com o artista e críticos de arte, textos e sensações – desdobrada nos processos de improvisação do grupo, teceu movimentos que reinventaram materialidades - corpo, cenário e cena. “Nesse processo criativo foi nascendo todo um universo de imagens, criado pelos nossos corpos e com a nossa própria poética”, enfatiza Lilian Marques, outra intérprete-criadora. A arte de Clóvis Irigaray perpassa e atravessa esta obra cênica que sugere diversas conexões, inclusive com questões que emergem da intensificação do processo de mundialização em que vivemos. “Questões como o convívio entre várias e diferentes construções identitárias e a permeabilidade das margens, das fronteiras, dos limites estabelecidos em uma sociedade globalizada”, diz Emyle Pellegrim, também intérprete-criadora do Grupo Casa. “Pena Que Cocar Não Tem” apropria-se das possibilidades das alteridades que nos atravessam para sugerir as possibilidades das alteridades que atravessam a dança na contemporaneidade”, encerra Danielle Milioli. Trilha sonora Sons e ruídos percebidos durante o processo de criação de “Pena Que Cocar Não Tem” sinalizaram a escolha estética da sonoridade criada para este trabalho cênico. Estela Ceregatti, que juntamente com Lilian Marques assina a trilha sonora do espetáculo, explica que, “como na Ótica (Física) o branco reúne todas as cores, criou-se na música um termo: “ruído branco”, que descreve a complexidade de um som composto por todas as freqüências audíveis. A pesquisa criada para este espetáculo está no limiar entre esta completude e o som puro, senoidal, cujas fontes sonoras advêm de sons naturais, mistos e da ressignificação da matéria prima do som através da técnica eletroacústica.” Para Estela, “o desvendar laborioso do som sustentado pelo silêncio; a chuva que ressoa ao longo espreguiçar de um rio, contrastando o corriqueiro dia-a-dia na cidade enérgica; da lúdica magnitude de um ritual indígena, aos arranhares dos trilhos de um metrô; da crua beleza de uma flauta, a um cânone de línguas adversas e tudo o mais que soa aos ouvidos e percorre as materialidades reinventadas em Pena Que Cocar Não Tem traduzem a sonoplastia deste espetáculo.” Grupo Casa – Artes do Corpo Foi no Curso de Mestrado em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO/UFMT), em 2009, que as artistas - Danielle Milioli, Emyle Daltro Pellegrim e Lilian Marques - se encontraram. Desejos, formações artísticas e noções como as de Instalação Coreográfica e de Teatro Físico as motivaram a entrelaçar diferentes linguagens artísticas (dança, teatro e artes visuais), a criar o Grupo Casa - Artes do Corpo e a iniciar um jogo de experimentação da Arte enquanto espaço de ressingularização e reinvenção da própria Arte. O primeiro trabalho do grupo foi Entremeios, performance constituída na relação com as esculturas espaciais do artista visual Herê Fonseca, apresentada na Exposição Oscilações (2009), no SESC Arsenal, em Cuiabá. Agora, o grupo apresenta seu segundo trabalho, “Pena Que Cocar Não Tem” que vem fortalecer a proposta de difusão da produção artística mato-grossense e estimular trocas artísticas e culturais. SERVIÇO O QUE: espetáculo de dança “Pena Que Cocar Não Tem” ONDE: Salão Social do Sesc Arsenal QUANDO: dias 21 e 23 de julho (quarta e sexta-feira) HORÁRIO: às 15 e 20 horas QUANTO: entrada franca INFORMAÇÕES: ingressos disponíveis no local, com uma hora de antecedência

Edição EDIÇÃO 16959




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