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ILUSTRADO
Terça-feira, 01 de Julho de 2008, 20h:58

DVDs

Originalidade faz jus ao Oscar conquistado

O vencedor do Oscar de roteiro origina, “Juno”, e o talento de Cronenberg em “Senhores do Crime” passam pela nossa avaliação na edição desta quarta-feira

Juarez Compertino
Especial para o Diário de Cuiabá
Ganhador do Oscar 2008 de Melhor Roteiro Original, "Juno" (Juno,EUA,2007/Paris) é de um frescor surpreendente que faz jus ao prêmio. Longe das "love story" maniqueístas, fantasiosas ou cínicas, o filme consegue juntar a magia inocente do primeiro amor e as dificuldades de esse amor (?) se manter na vida adulta. Adoravelmente realista e recheado de diálogos espontâneos, o filme é uma crônica americana, centrada na hipocrisia sobre gravidez indesejada, tratada de maneira inteligentíssima pelo roteiro de Diablo Cody. Juno (Ellen Page, numa luminosa atuação) é uma adolescente diferente de todas as outras que existem nos filmes teen. Hiper articulada, Juno não é superficial e tampouco obcecada pela imagem. Lida com o mundo sem histeria ou conversas clichês, é rápida e precisa em suas atitudes, não sonha com príncipes encantados. Grávida aos 16 anos, ela não está preparada para ter um filho. O pai do futuro bebê, o discreto Bleeker (Michael Cera), com quem transou apenas uma vez, é um crianção. De inocência assumida, a garota lida com isso de maneira esperta. Encara o fato de forma verdadeira e toma uma decisão. Em casa, a família recebe a notícia já com uma decisão final da garota - ela vai doar o filho (ou "a coisa", como costuma dizer) para um casal infértil. Quando conhece Mark e Vanessa (Jason Bateman e Jennifer Garner), um casal abastado que pretende adotar uma criança, Juno acha que eles são os pais perfeitos para criar seu filho. Porém, conforme a gravidez avança, ela começa a perceber que a vida dos dois está longe de ser perfeita como ela havia imaginado. O ‘hypado’ Jason Reitman, despido do cinismo apresentado no mordaz "Obrigado por Fumar", se revela um diretor sensível e consciente ao conduzir essa delicada, sensível e de humor ácido história sobre o tema da gravidez na adolescência, repleta de referências pop, com uma visão que não versa pesada ou moralista. Um filme que vale ser visto e revisto.

Edição EDIÇÃO 16959




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