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ILUSTRADO
Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010, 19h:37

LITERATURA

O poeta Rimbaud e o seu estilo descontínuo

Rimbaud, segundo Mallarmé, foi “um meteoro incendiado sem outro motivo a não ser sua presença” e, para Antonin Artaud, “foi um poeta que soube como encontrar a vida secreta da poesia”

Em ‘Uma parada selvagem’, lançamento da Editora Unesp, Adalberto Luis Vicente aproxima o leitor de um universo surreal, possibilitando um encontro vivo com Arthur Rimbaud. Por meio desta obra, a escritura rimbaudiana pode ser sentida como uma mistura de diferentes sensações, entre alegrias e surpresas, aceitando o desafio lançado pelo poeta francês em Parade, um dos poemas das Iluminações: “Somente eu tenho a chave dessa parada selvagem”. Como escreve Alexandre Bonafim, “tão intimamente sentimos Rimbaud na lúcida escrita de Adalberto, que o poeta ganha amplitude, torna-se maior em nossa paisagem de leituras”. Já Glória Carneiro do Amaral chama atenção, no prefácio a esta obra, que ela nos mostra “a modernidade de Rimbaud construída passo a passo”, apontando os momentos mais importantes da biografia, porém “sem fazer concessões a sensacionalismos e ligando-a, ao mesmo tempo, à elaboração de sua poesia”. Adalberto Vicente apresenta de forma direta a trajetória existencial e poética do francês e estabelece uma relação entre sua vida e obra. São apontados os momentos de maior importância da biografia de Rimbaud, porém sem fazer concessões a sensacionalismos, ao mesmo tempo, estabelecendo uma ligação desta com o processo de elaboração de sua poesia. Inicialmente são apresentados poemas que exaltam o contato com a verdadeira vida, sendo marcados pelo sentimento de liberdade e idealismo infantil que transparecem um sentimento de plenitude. Ao falar sobre essa poesia inicial, o autor aponta também a base para a construção das ideias futuras de Rimbaud constituintes da poética Iluminações. “Uma parada selvagem” se torna assim um convite para que os leitores e admiradores de poesia entrem no universo poético de Arthur Rimbaud e possam apreciar melhor o poeta que, segundo Mallarmé, foi “um passante considerável” e “um meteoro incendiado sem outro motivo a não ser sua presença”, mas que também soube, como lembra Antonin Artaud, “encontrar a vida secreta da poesia”. (com assessoria)

Edição EDIÇÃO 16959




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