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ILUSTRADO
Quinta-feira, 31 de Março de 2011, 20h:46

LITERATURA

O Moleque Ricardo, de Lins do Rêgo

Nascido no Engenho Santa Rosa, no interior de Pernambuco, o “moleque de eito” Ricardo tinha poucas perspectivas de ascender na vida. Aos 16 anos, inconformado com seu destino, ele decide fugir para Recife e começar uma nova vida longe da roça. Na capital pernambucana, Ricardo consegue encontrar um emprego. Porém mais do que trabalhar em troca de um salário, suas novas experiências incluem a descoberta do amor e da militância política. No entanto, o que parecia uma porta para a liberdade acaba em tragédia, com a prisão do rapaz na Ilha de Fernando de Noronha. Primeiro romance de José Lins do Rêgo escrito em terceira pessoa, O Moleque Ricardo, tem um forte cunho político. A trajetória do negro de engenho que busca uma nova vida na cidade, sem sucesso, reflete a lógica da cultura nordestina de que o trabalhador “alugado” tem melhor condições de vida do que o proletário urbano. Escrito entre o ciclo da cana e o ciclo do nordeste, a obra tem sua continuação na primeira parte da Usina, publicado em 1936. Na retomada do personagem, José Lins do Rego mostra a vida de Ricardo no presídio, onde o negro tem um relacionamento homoafetivo com o cozinheiro, seu Manuel. No final, Ricardo volta para o engenho, derrotado. O AUTOR José Lins do Rego nasceu na Paraíba em 1901. O mundo rural do Nordeste lhe serviu de primeira inspiração – publicou Menino de Engenho em 1932. Seus livros foram adaptados para o cinema e traduzidos na Alemanha, França, Inglaterra, Espanha, Estados Unidos, Itália, entre outros países. Em meados dos anos de 1950, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e, em 1957, o Brasil perdia um de seus maiores escritores. Menino de engenho, Fogo Morto e Histórias da Velha Totônia também foram relançados com um projeto gráfico novo pela Editora José Olympio em 2010. (com assessoria)

Edição EDIÇÃO 16959




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