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ILUSTRADO
Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007, 18h:28

TRANSFORMAÇÃO

Mudar a vida pela arte

Curso de arte em mosaico forma a primeira turma com 42 jovens da periferia

Transformar a vida pela arte. Um sonho que começa a se tornar realidade com o auxílio da prefeitura, governo federal e empresa privada. O curso de mosaicista era uma promessa da primeira-dama Adriana Bussiki que além de arquiteta conhece a arte e admira. Ela também não apenas o idealizou como monitorou a execução acompanhando cada passo da evolução dos alunos durante os seis meses de duração. O palco da exposição é o Museu da Caixa D’Água, um dos mais importantes monumentos histórico de Cuiabá, que foi recém recuperado e hoje abriga um espaço turístico e cultural na capital. O Museu sedia a primeira exposição de obras de artes em mosaico. Aberta dia 17, segunda-feira à noite e se estenderá até a próxima sexta-feira, 21. Essa exposição tem um diferencial, traz relatos e experiências de vida interessantes contados por 42 jovens da periferia que acabaram de concluir o primeiro curso de formação de mosaicistas de Cuiabá. O curso foi oferecido gratuitamente pela Prefeitura de Cuiabá numa parceria com o Programa de Atenção Integral à Família(Paif), do Governo Federal. Também teve a parceria da empresa Beira Rio Materiais de Construção, que forneceu cerâmicas quebradas durante o transporte. Nas galerias do Museu da Caixa D’Água estão expostas 20 peças. São quadros capazes de surpreender, não apenas pela criatividade e habilidade demonstrada pelos novos mosaicistas, mas pelas pelos motivos que levaram a construção dos desenhos. Com o quadro “Sméagol”, os gêmeos Wellington e Wesley Lopes, de 17 anos, tentaram mostrar as diferenças naturais entre os seres, mesmos aqueles que pertencem à mesma espécie. Wellington contou que todas as vezes que está com o irmão e diz para alguém que são gêmeos causam surpresa por causa das diferenças físicas entre ambos. Nessa peça, os irmãos Lopes retrataram um personagem do filme Senhor dos Anéis, uma das maiores produções cinematográficas, entre muitas cores e circunferências. Wellington e Wesley contaram que “Sméagol” é um quadro que exigiu muita concentração e habilidade, qualidades que eles mesmos desconheciam e que descobriram que possuem fazendo o curso de mosaico. “Desmanchamos e refizemos essa peças uma três vezes”, confidenciou Wellington. Os Lopes concluíram o curso há menos de uma semana e já estão trabalhando como mosaicistas. Depois de passar por um estágio fazendo mosaico na Praça Rachid Jaudy, os dois estão fazendo o primeiro painel em mosaico independente, sem a ajuda de professores, em uma lavanderia. “Quero fazer da arte em mosaico a minha profissão”, disse Wellington, demonstrando segurança da decisão. Noeli Coelho, 21 anos, e a amiga e vizinha Maria Vilma dos Reis, 24 anos, fizeram o curso juntas. Elas compuseram um arranjo campestre bastante colorido e harmonioso. Noeli disse que fez o curso incentivada pela amiga. No começo, contou ela, participou por falta de ocupação, mas foi gostando e se envolvendo e ao ponto de hoje poder se considerar uma apaixonada pelo mosaico e outras formas de arte. “Vejo o mundo e tudo a minha volta com outros olhos, bem diferente do que via antes de fazer esse curso”, confidenciou Noeli. Tanto ela como a amiga Maria Vilma querem trabalhar como mosaicistas, seja na confecção de peças de decoração e quadro ou na restauração de monumentos, igrejas e praças. Adriana lembra que o mosaico é uma arte que está ligada à criatividade do artista que pode, por exemplo, começar a trabalhar aproveitando rejeitos da construção como cortes de cerâmica porcelanato, vidros e outros produtos de revestimento. Ela explicou que os jovens que participaram do curso passaram por um teste de seleção que avaliou noções básicas em desenho. Com idade entre 17 e 24 anos, eles são de bairros como Novo Colorado, Dom Aquino e Osmar Cabral. O curso teve como coordenador a técnica em edificações Leila Hussen Sayed e como professor o artista plástico Elias Francisco de Paulo, um dos mais experientes na arte em mosaico. (com assessoria)

Edição EDIÇÃO 16968




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