ILUSTRADO
Terça-feira, 21 de Junho de 2011, 21h:41
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NO JARDIM
Mestiçagem na música
As 23 vozes do Coletivo Ninhal, sob a regência de Adonys Aguiar, apresentam repertório que trabalha a hibridez sonora do Brasil
Martha Baptista
Da Reportagem
Trabalhar o híbrido na música brasileira: essa é a proposta do Coletivo Ninhal, um grupo de 23 pessoas que sobe ao palco do Projeto Música no Jardim no Sesc Arsenal, nesta quarta-feira, às 20h. No repertório do show Casa Mestiça: Brasil, composições de veteranos como Chico Buarque de Hollanda, Ivan Lins, Edu Lobo, Milton Nascimento e Jorge Mautner, e de artistas de uma leva mais recente como Carlinhos Brown, Marcelo D2 e Nação Zumbi, entre outros. A ideia é mostrar a mestiçagem da música brasileira um verdadeiro caldeirão de ritmos e linguagens musicais, explica Adonys Aguiar, regente e diretor musical do Coletivo, um grupo basicamente vocal (só tem dois instrumentistas fixos), cujo foco é a pesquisa. O híbrido é um termo transferido da biologia às análises socioculturais para favorecer o entendimento de fenômenos de miscigenação ocorridos na contemporaneidade, explica o Coletivo numa espécie de manifesto musical. Nesta vastidão territorial, sertão globalizado povoado com sons e lendas de todas as procedências, entre a sanfona e a batida eletrônica, onde a marca de cultura na contemporaneidade é o rompimento de fronteiras, é que nos encontramos, onde tudo está por fazer e criar. Para além das fronteiras, os espaços que procuramos ocupar são lugares de resistência. MISCELÂNEA CULTURAL Boa parte dos integrantes do Coletivo Ninhal é oriunda do Coral do antigo Cefet (hoje IFMT) e muitos deles hoje são alunos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). É o caso do próprio Adonys, que coordena o Coletivo junto com Marília Cortez. O grupo se consolidou em 2009, ao realizar o espetáculo Afro-Luso-Tupiniquins: Viagem Sonora Brasileira junto com o Coral Infanto-Juvenil da UFMT, no Teatro da UFMT. O espetáculo Casa Mestiça: Brasil foi apresentado pela primeira vez no ano passado e vem com modificações e várias participações especiais - Marcel, Luciene Carvalho, Raul Lázaro e o Coral Infanto-Juvenil da UFMT - hoje e no próximo dia 22, também no Sesc Arsenal. As duas apresentações serão realizadas no dia do Bulixo, a tradicional feira que movimenta o Sesc Arsenal às quintas-feiras. Esta semana, excepcionalmente, por causa do feriado de Corpus Christi o bulixo acontecerá na quarta. O show contará com a participação dos músicos Augusto Krebs Ferreira (violão e guitarra), Juliane Grisólia, Karola Nunes, Luiz Top (percussão), Luanil Soares (contrabaixo), Kadmo Zambon (piano) e Marília Cortez (flauta transversal). A iluminação é de Karina Figueiredo. DEDICAÇÃO AO CANTO CORAL O Coletivo Ninhal esteve presente na edição Cuiabá dos Painéis Funarte de Regência Coral, promovido pelo Núcleo Coral UFMT e participou do espetáculo Kalimba do Coral Infanto-Juvenil da UFMT. Não é por acaso que o Coletivo está sempre ligado a esse coral: apesar de ter apenas 22 anos, o cuiabano Adonys Aguiar é regente dos dois grupos vocais. Aluno do 8º semestre do curso de Licenciatura em Música da UFMT, Adonys está à frente do Coral Infanto-Juvenil como bolsista e tem feito um trabalho muito elogiado por colegas como Rejane De Musis, que deixou recentemente a direção do grupo Práticutucá - ela se mudou para os Estados Unidos com o marido, o músico Ebinho Cardoso - e pediu ao regente para adotar algumas de suas crianças e adolescentes. Adonys iniciou seus estudos em música no Coral CEFET-MT, sob a regência de Liza Paro, e foi através dela que teve seu primeiro contato com o canto coral. Na época, atuou como coralista nos espetáculos Soul Brasileiro e Geração Coca-Cola, (neste último também trabalhou como produtor geral). Participou do 3º Encontro Internacional de Coros de Cuiabá, do 1º Laboratório Coral de Cuiabá e do XIX Laboratório Coral de Itajubá, considerada a capital brasileira do canto coral. Como integrante do Coral UFMT, participou da ópera A Flauta Mágica de Mozart, produzida em Cuiabá. Como regente, fez parte da formação do Coral Infanto-Juvenil do Projeto PROEXT, regeu o Coro Preparatório da UFMT e foi auxiliar de regência do Coral Infanto-Juvenil da UFMT. Participou de duas edições do Painel de Regência Coral de Mato Grosso e do Painel Funarte de Regência Coral, e de oficinas com grandes nomes do canto coral, como Ângelo Dias, Lincoln Andrade, Ângelo Fernandes, Gisele Cruz, Eduardo Fernandes e Pablo Trindade. Atualmente é regente do Coral Infanto-Juvenil da UFMT, sob a coordenação de Naise do Vale e regente do Coletivo Ninhal, sob a coordenação de Marília Cortez. NINHAL O Coletivo Ninhal representa para Adonys a oportunidade de mergulhar na pesquisa musical, explorando as possibilidades criadas com a mestiçagem na música brasileira. No Pantanal, segundo especialistas, é conhecida como viveiro ou ninhal a colônia de nidificação de aves aquáticas em árvores, ou seja, o local onde os pássaros constroem seus ninhos. Os ninhais são responsáveis por algumas das imagens mais bonitas e marcantes da paisagem mato-grossense. É o nosso país que habita ninhais, ocas, chalés e bangalôs para todas as tribos em um constante processo de hibridação cultural que, segundo o antropólogo Nestor Canclini, são estruturas ou práticas discretas, que existiam de forma separada e se combinam para gerar novas estruturas, objetos e práticas. É importante ressaltar que tais estruturas também são resultados de hibridação, teoriza o Coletivo Ninhal em seu texto de apresentação. SERVIÇO O QUE: Show Casa Mestiça: Brasil com o Coletivo Ninhal e convidados QUANDO: dias 22 e 30 de junho, às 20h ONDE: Jardim do Sesc Arsenal QUANTO: Entrada franca