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ILUSTRADO
Segunda-feira, 04 de Agosto de 2014, 19h:09

GUARDIÕES

Marvel acerta de novo

Ao investir corajosamente em seus heróis menos famosos — underdogs mesmo — estúdio da Disney dá aula de bom entretenimento

Rafa Gomes Caetano
Do Movier.com.br
A que experiência somos levados dentro do cinema ao irmos assistir a última adaptação de uma HQ da Marvel para o audiovisual. E eu fugi de críticas o quanto pude, mesmo sendo bombardeada por todos os lados. Não queria que nada interferisse na minha absorção da história. Precisava dos meus olhos e mentes limpos para digerir “Guardiões da Galáxia” sem qualquer precedente. E funcionou como nunca. Os “Guardiões da Galáxia” não é da minha época (como muita coisa que eu amo), mas eu sei o suficiente sobre eles pra te garantir que sim, eles são sim heróis B da Marvel. Não tem o apelo popular que Spider-Man ou Os Vingadores tem. Seus heróis não são brilhantes, pouco cativantes (se comparado aos astros hollywoodianos/marvelianos) e eles são os underdogs. E o que torna o filme ainda mais brilhante é justamente o fato do Studio Marvel não negar essa verdade. Ok, eles são os underdogs. Mas serão underdogs com muito estilo. E a adaptação nos leva pra este ambiente do “e se os caras mais sem jeito fossem a salvação da humanidade?”. Eles fogem à risca todo o arquétipo de herói construído em nossas mentes ao longo de, bem, sempre. Certo? São cheios de marra, fazem pouco caso uns dos outros, são mercenários à sua medida. São esses os nossos heróis. Tem algo de heróico nisso? Bem, o que encanta na produção é a mudança de caráter dos personagens, conforme eles são construídos e descontruídos na tela diante dos nossos olhos. Temos cerca de duas horas de filme com metamorfoses constantes de postura, sem mexer na personalidade de cada um. Parece louco o que estou dizendo, mas assista o filme e você vai me compreender. E o roteirista James Gunn parece ser a galinha dos ovos de ouro em termos de roteirização para a Marvel. É um pouco cedo pra dizer, partindo do ponto de que “Os Guardiões” é o primeiro roteiro adaptado de HQ que ele escreveu. Mas, sinceramente, que roteiro! Não tem frases de efeito, como sempre vemos nas adaptações da Marvel. Ele trocou o estilo por diálogos encorpados, com pitadas cômicas e dramáticas, que dão o sabor agridoce ideal para a história. Acredite, não tem MESMO frases de efeito, daquelas que finalizam discussões ou encerram cenas. Temos diálogos bem ajustados e construídos. O que contribuí para levar o público mais imerso neste tipo de filme (leia-se nerds, amantes de HQ e seus desdobramentos) a um mundo paralelo. Onde não há clichês batidos e o riso vem naturalmente, sem querer querendo. E o que dizer de Chris Pratt, versão 2.0? Chora mundo, porque você acaba de receber um ator de grande porte. Assistindo aos filmes antigos dele (“Cinco Anos de Noivado” e “Take Me Home Tonight”) você não apenas observa a transformação física para viver Star-Lord como também profissional em termos de atuação (que já dava ares em “Ela”). Tá lindão, heim Chris? Te contar. O gancho de Chris nos leva também ao elenco de maneira mais completa. Seu personagem, com um toque de bad boy e características que o fariam mais um anti-herói do que o contrário, tem perfil de líder. Mas não do tipo que exerce a liderança pela força. Star-Lord, vulgo Peter Quill, possui o dom da liderança, que atrai os liderados mesmo com seus desajustes e falta de preparo. E como bom líder, ele estimula o melhor em cada personagem, ainda que de maneira “acidental”. Dentro deste contexto, vemos Zoe Saldana mudar de cor mais uma vez no papel de Gomora (o que lhe concederia facilmente o título de rainha das franquias blockbusters com “Star Trek”, “Avatar” e “Guardiões” emplacando bilheterias incríveis), Bradley Cooper cedendo a voz para Rocket, Vin Diesel ocupando o mesmo cargo para o personagem Groot (e que vozerão) e o lutador Dave Bautista como Drax, vingativo mas poético, com o inglês mais robusto e arcaico do que se poderia esperar de uma criatura tão bruta. Todos ali desmontam a nossa filosofia de Liga da Justiça, irrepreensível e impecável. São imperfeitos, são underdogs, lembra? [Nota da Editoria: Atenção, senão quer spoiler, pare a leitura aqui.] E a cena favorita? A da lenda de “Footloose”, onde um herói, Kevin Bacon, muda a história de uma cidade cheia de gente cagona (acredite, isso está no filme!). Até tu, Kevin Bacon, está fazendo escola para a nova geração, que nunca assistiu ao clássico oitentista, tão pouco ouviu aquele “Awesome Mix vol. 1”, a trilha sonora mais bem feita nas produções recentes. E por sinal, é ouvindo a trilha sonora (linda, dos anos 70/80) de “Os Guardiões da Galáxia” que eu encerro por aqui. Tal como na última cena do filme, ao som de “I Want You Back” dos Jackson 5. [Fim do spoiler]. SERVIÇO O QUE: “Os Guardiões da Galáxia”. ONDE: em todos os cinemas da capital. QUANDO: Horários variados (consulte programação neste DC Ilustrado). QUANTO: Preços variam conforme horário (consulte programação). AVALIAÇÃO: Ótimo.

Edição EDIÇÃO 16965




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