ILUSTRADO
Sábado, 30 de Agosto de 2008, 14h:35
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SAMBACHARME
Mart'nália fala de 'Madrugada', seu novo CD
Roberta Pennafort
Agência Estado
Martnália boceja e se espreguiça antes de começar a entrevista, . Desde criança, a cantora troca o dia pela noite. A "Madrugada", seu novo CD, ela quis dar o clima livre e leve das madrugadas que passa ouvindo música, bebendo sua cerveja com os amigos pelos bares, compondo. "É na madrugada que eu me solto", conta a cantora, autora, com seus parceiros, de 3 das 13 faixas do disco. Se "Pé do Meu Samba" (2002), dirigido por Caetano Veloso, marca o início de sua carreira fonográfica (a avaliação é da própria Martnália, que lançara dois outros antes desse, mas "de brincadeira"), e "Menino do Rio" (2005), o mais recente, capitaneado por Maria Bethânia, a projetou ainda mais, "Madrugada" é seu primeiro CD numa gravadora maior, a Biscoito Fino. Ela conta com a presença de dois amigos de muitos carnavais, Artur Maia e Celso Fonseca, que, considera, a ajudaram a imprimir no disco um certo perfume de sambacharme, explicado com uma mistura do samba com o suingue da música Black. Os arranjos foram divididos entre os dois, que também participam de composições e tocam em quase todas as músicas. De Maia, com Martnália e Ronaldo Barcellos, é a gostosa "Deu Ruim" E também "Alívio", parceria com Djavan, gravada por ele - a letra seria de Martnália, mas ela acabou não fazendo. Fonseca, que toca violão e guitarra ("fazia tempo que eu queria uma guitarrinha", diz Martnália), assina com Ronaldo Bastos a bonitinha "Ela É Minha Cara". O CD traz ainda releituras de "Batendo a Porta", clássico de João Nogueira e Paulo César Pinheiro, e "Alegre Menina", de Dori Caymmi e Jorge Amado (da trilha sonora da novela "Gabriela", na voz de Djavan). Esta última teve bela participação de Luiza Possi. A cantora da Vila do pai, Martinho, atualmente de mudança de Copacabana para a Fonte da Saudade, regrava músicas como essas com gosto, sem se importar com comparações. "Sai Dessa" (Nathan Marques/Ana Terra), por exemplo, foi gravada por Elis Regina. Martnália adora cerveja, e, por isso, os versos: "Hoje eu sonhei que cerveja sai da bica/ No banheiro não tem fila." Outra já gravada antes é "Sem Dizer Adeus", do amigo Paulinho Moska. De inéditas, "Tava Por Aí" (Mombaça/Martnália), chiclete que já foi mandada para as rádios, "Não Encontro Quem Me Queira" (Thiago Mocotó) e "Fé" (Jorge Agrião/Evandro Lima). Seu "inglês de Vila Isabel" aparece em "Dont Worry, Be Happy", de Bobby McFerrin, à qual, gaiata, acrescentou frases como "Relax e tudo fica diferente!" e "Deixa pra lá!". Ela chegou a pensar em incluir "You Are the Sunshine of My Life", de Stevie Wonder ("ele tem muito samba!", justifica). De Martinho, escolheu "Tom Maior", a canção de ninar de sua infância. A capa remete à de "Menino do Rio". A foto, mais uma vez, foi feita no Arpoador, tendo Martnália à frente da bela paisagem carioca. As diferenças: na primeira, é dia, e ela está séria; na segunda, já caiu a noite, e, sorridente, ela faz graça. "'Menino do Rio' é mais sério mesmo. Eu sempre gostei da madrugada. Minha mãe (a cantora Anália Mendonça) ia cantar e eu ficava esperando ela voltar. Adoro ver o dia amanhecer", explica, sorridente.