ILUSTRADO
Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011, 20h:50
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GESTÃO
Malheiros e Cultura
Apesar do aumento de 50% da verba da Secretaria, em relação ao orçamento 2010, a demanda cerca de dez vezes maior do que a oferta
Claudio de Oliveira
Da Reportagem
Toda a vez que troca secretário de Cultura é assim: a classe cultural espera ser ouvida pelo governador. E, se possível, espera indicar uma lista tríplice ou no mínimo que o indicado atue no setor. Como também já se tornou hábito, os governadores indicam a revelia do segmento. O deputado João Malheiros é o mais novo exemplo desta política. Assumiu a secretaria que segundo ele é o patinho feio do governo em se tratando de verba. O secretário está ciente das dificuldades e estranha as críticas que apontam o seu desconhecimento da área cultural. Sou cuiabano e vivo aqui há mais de meio século. Sou historiador. Conheço as nossas tradições e quando estava na Câmara de Vereadores de Cuiabá criei a secretaria de Cultura da Câmara, única no País até hoje. Por iniciativa minha foi criado o dia do Estado de Mato Grosso. Tenho humildade em reconhecer o que não sei e pretendo contar com o apoio dos ex-secretários e técnicos sem a preocupação de ser o dono da ideia, explicou Malheiros, citando que já recebeu o apoio de diversos ex-secretários, inclusive, com ótimas ideias que ainda não saíram do papel. Por exemplo, continua o secretário, o Pitaluga esteve aqui falando da sua ideia de fazer um Museu da Guerra do Paraguai em Barão de Melgaço, é ótima a ideia e nós vamos trabalhar para fazer isso. A realidade da secretaria, em termos de recurso, é difícil. Apesar do aumento já citado pelo DC Ilustrado neste domingo, de 50% da verba em relação à verba inicial de 2010, a demanda é pelo menos dez vezes maior do que a oferta. Grande parte desta demanda vem das prefeituras municipais que muitas vezes não destinam recursos para a cultura da sua cidade e vem buscar na SEC o dinheiro para suas ações. Alvo de reclamação constante da classe artística que vê nesse procedimento uma competição desleal. Para Malheiros o problema é que normalmente as pessoas sabem pedir, mas dar em troca é outra conversa. Estou com a intenção de restaurar as linhas telegráficas de Rondon e para isso vamos tratar com inúmeros municípios. É óbvio que vamos precisar de parcerias e somente com estas é que o projeto se torna viável. Será preciso que as prefeituras disponibilizem pessoas para receberem capacitação (para trabalharem como monitores nas linhas) e segurança, por exemplo, porque o estado não tem como bancar isso falou o secretário. A Agecopa foi citada novamente como a possibilidade de melhorar verba da Secretaria. Malheiros lembrou sua longa trajetória política, sua relação com o ex-governador e atual senador Blairo Maggi e também com o diretor financeiro da Agência, Jefferson de Castro, que trabalhou no escritório de representação do estado de MT em Brasília, quando Malheiros era chefe da Casa Civil. Durante a conversa o secretário rememorou o Centro Histórico de Cuiabá e projeto para tornar subterrâneas as fiações elétrica e telefônica, um projeto orçado pelo ex-secretário Paulo Pitaluga em R$ 8 milhões na época e que bem poderia ser apreciado e viabilizado através desta parceria SEC/Agecopa. Para o secretário, algumas ações poderão ser viabilizadas com uma maior força dentro do Conselho de Cultura, pois a presidência que antes cabia ao secretário da pasta estava sendo exercida por um conselheiro eleito pela classe artística e agora retornou ao titular da SEC. Outra fonte de reclamação do segmento cultural. Entre os projetos em andamento estão o aprimoramento do Palácio da Instrução que está às vésperas de completar 100 anos, segundo o historiador Malheiros, que, inclusive se lembra de ter estudado no local. Aperfeiçoar a biblioteca, viabilizar mais cursos, utilizar melhor o Salão Nobre com a realização de saraus por exemplo, são algumas das ações que pretende implementar de imediato. O deputado licenciado também lembrou da Assembléia Provincial (1835, sendo a construção de 1776) que fica na esquina da Rua Pedro Celestino com a Rua Campo Grande. O secretário afirmou que gostaria de ver a Assembleia Provincial restaurada e para isso espera contar com pessoas capacitadas, quem sabe a UFMT ou o próprio Instituto Memória (da ALMT). Vamos procurar recursos para isso. Chapada dos Guimarães foi citada pelas suas belezas naturais, mas a expectativa também inclui a criação de um museu na cidade. Como sempre a expectativa é que a cultura conquiste mais espaço na agenda governamental e um passo importante nesta direção é o reconhecimento desta como atividade geradora de emprego e renda. Esperamos também que a cultura possa o quanto antes contar com a PEC 150 que estipula valores mínimos de repasse para o setor em todas as esferas: municipal, estadual e federal com 1%, 1,5% e 2%, respectivamente. Como o DC Ilustrado mostrou neste domingo o repasse atual do estado corresponde a 0,21%. Por este lado o DC Ilustrado dá um voto de confiança e acredita que com um deputado como João Malheiros e toda a sua experiência política e conhecimento dos trâmites e das pessoas chaves no processo a cultura, seja possível continuar a avançar rumo a PEC 150 e rumo a uma valorização maior da área que além de arte, educação e saúde gera seres humanos mais conscientes e completos. Da parte aqui da equipe do DC Ilustrado, como se diz nos Estados Unidos, vamos esperar os cem primeiros dias para então reavaliar o momento.