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ILUSTRADO
Segunda-feira, 20 de Julho de 2015, 19h:35

TEATRO

Luiz Carlos Ribeiro, criatura do Rio Abaixo

Ator e diretor se prepara para novo espetáculo ao lado de Pescuma, Henrique e Claudinho

JOÃO BOSQUO
Da Reportagem
Como Luiz Carlos Ribeiro chega, saindo de Santo Antônio Rio Abaixo, até o Rio de Janeiro? Essa parte da história ainda tem que ver com a criação da Femata e Confenata, que elegeu Cuiabá para ser o local da primeira reunião. Um pouco por curiosidade dos demais representantes das outras 16 federações já que ninguém conhecia Mato Grosso, senão as lendas de onça no meio da rua, índios selvagens e, claro, o Pantanal. O encontro acontece no dia 18 de janeiro de 1978 e este Diário de Cuiabá publica a “Carta de Cuiabá”, definindo as diretrizes do movimento nacional para o teatro. Um teatro voltado para a cultura popular, através da pesquisa, enquanto subsidio e discurso político. Dentro dessas diretrizes é que surge o texto que vai subsidiar a mítica peça “Rio Abaixo, Rio Acima”, ou “Ergue o Mocho e Vamos Palestrar” de Glorinha Albuês, que já tinha retornado do Rio de Janeiro. Luiz gosta de dizer que foi uma intervenção teatral. O convite partiu de Miguel Biancardini, sendo portando o primeiro produtor, para ser apresentado em um Congresso do Rotary Club que fora realizado aqui. No jantar de encerramento desse congresso de rotarianos, no Ginásio de Esportes do Sesc, foi apresentada a primeira versão da peça, com participação dos Cinco Morenos, e a primeira vez que Luiz Carlos Ribeiro sobe ao palco como ator para representar em uma peça teatral. Aplausos que ninguém esperava a reação do público diante do espetáculo. Com a reestruturação do grupo Terra – Liu Arruda vai embora pro Rio de Janeiro, outros tomam outro rumo – decide-se dar continuidade ao “Rio Abaixo, Rio Acima” e os integrantes do grupo vão fazer justamente aquilo que a Carta de Cuiabá pedia: pesquisar junto às comunidades a cultura popular, a questão da linguagem, a partitura corporal das ceramistas, enfim, e assim aconteceu e a partir dessa pesquisa, Glorinha Albuês reescreve a versão completa da peça. O Grupo Terra começou a montar a peça e apresentar, inicialmente no teatro de arena que existia no pátio da Fundação Cultural. A Fundação Cultural é bom explicar era sediada no Palácio da Instrução, depois que deixou sedia a Procuradoria da Justiça e Secretaria de Segurança Pública. Luiz conta que eram uns gatos pingados que apareciam. Chegaram a convencer o padre Jornel a divulgar a peça depois da missa entre os fiéis. Nada. O que fazer? Correr atrás do público e o grupo decide apresentar nos locais em que aconteceram as pesquisas: Passagem da Conceição, Engordador, Guarita, São Gonçalo Beira Rio. O grupo chegava, pedia comida e, em troca, apresentava o espetáculo, contando, claro com ajuda dos amigos no patrocínio da gasolina dos carros que transportavam a trupe. Corria o ano de 1979, e o grupo decidira parar com a peça. Antes, porém, fariam uma última apresentação no dia do aniversário da diretora Maria da Glória Albuês, tipo festa surpresa, ali mesmo no teatro de arena da Fundação Cultural, em outubro daquele ano. Os convidados todos aqueles que de certa forma tinham ajudado o grupo durante o circuito 79, como ficou chamado. Entre esses presentes, a secretária (pena que Luiz não lembre o nome) do presidente do Instituto Nacional de Teatro, Orlando Miranda, que veio a Cuiabá para lançamento do edital do Mambembão 1980, por conta de uma ação de Tácito Freire Borralho de incluir financiamento para montagem de peças todos os estados onde tinha federação de teatro. Ao final dessa “última apresentação” a representante do Instituto de Artes Cênicas (no Brasil muda-se os termos das instituições sempre com o prósito de se esquecer os seus criadores) está chorando e ali disse que “aquela peça seria uma das representantes de Mato Grosso no projeto Mambembão. Rio abaixo, Rio Acima estreia no Mambembão em São Paulo no Teatro Eugênio Kusnet. O público foi ao delírio. Cacá de Souza, na plateia, maravilhado, resolveu mudar para Cuiabá. O crítico Sábato Magaldi saiu do teatro exaltando e convidou Glorinha para participar de uma aula de teatro e cultura popular. Ela não pode e foram LCR e Lúcia Palma e Magaldi disse que o espetáculo era maravilhoso. A segunda cidade a ser visitada foi o Rio de Janeiro onde também a peça se consolidou e depois em mais seis capitais, sendo que Campo Grande, já MS, foi a última. A peça ficou cinco anos em cartaz. Em 1983 escreve e encena a peça “Gudibai Meu Boizinho”, que fica em cartaz dois anos. De 1986 até 1998 trabalha na administração do Teatro Universitário, ora na função de diretor de programação, ora na de supervisor. Entre os anos de 1994 e 1995 escreve e dirige a trilogia do teatro do absurdo “Pelos Cotovelos”, “A Virgindade Contestada” e “Vespa Sete”. Em 2000 participa do FIAR – Festival Internacional de Teatro de Palmela, com a Cia D!Arte do Brasil a convite do diretor e dramaturgo português João Brites do Grupo O Bando. Ainda é coautor do texto “Marco Zero”, em parceria com Amauri Tangará. Em 2008 participa como ator da peça “A Mala de fugir e Outras Histórias”, de sua autoria, sob direção de Júlio de Camargo. Agora se prepara para remontar o espetáculo “Manoel Leite e Barro Pantaneiro”, com poemas de Manoel de Barros, participação de Pescuma, Henrique e Claudinho, que será apresentado dia 12 de agosto no Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros.

Edição EDIÇÃO 16965




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