A Globo definiu Jorge Ben Jor como o cantor da abertura de "A Nobreza do Amor", sua nova novela das seis que estreia na segunda-feira (16). A canção escolhida foi "Zumbi", um clássico da cultura afro-brasileira lançada por Ben Jor em 1974.
O projeto foi pensado a partir de um repertório estético marcado por referências negras e pela valorização das raízes culturais compartilhadas pelos dois continentes retratados na novela: a América e a África, que será bastante falada na trama protagonizada por Duda Santos.
"A pluralidade da novela surge nessa abertura a partir do nosso próprio time de criação, que é muito diverso. Isso trouxe uma camada autoral e cuidados à criação da abertura", ressalta Chris Calvet, gerente de criação.
O processo criativo da equipe, liderado por Will Nunes e supervisionado por Chris, partiu da noção de um tempo cíclico, central para muitas culturas de matriz africana.
"Para muitos povos de África, o tempo é representado como um movimento circular, sem um fim definitivo", destaca Will. Essa percepção foi traduzida no retorno à imagem inicial do reino de Batanga, que abre o vídeo, símbolo da realeza e do destino de sua protagonista.
O universo visual se construiu a partir de uma mescla entre tecidos africanos, arte popular brasileira e elementos como o Kente, associado, segundo Will, às realezas Ashanti, em Gana.
"Além disso, foram incorporados adinkras e referências à força moral de Xangô. Esses símbolos reforçam, simbolicamente, poder, linhagem e memória", afirma o líder do projeto.
A estrutura narrativa da abertura acompanha temas fundamentais da novela, como ancestralidade, travessia e uma aliança entre dois mundos. A designer Luiza Russo, que integra a equipe, explica que a abertura começa com a imagem do reino de Batanga e a força da realeza para, no fim, voltar a esse mesmo ponto, completando esse tempo cíclico africano.
"A câmera atravessa padronagens até alcançar mandalas e adinkras, através das quais chegamos à realidade, com um olhar observador de uma representação de Jendal (Lázaro Ramos) sobre Tonho (Ronald Sotto). Em um giro, encontramos Alika (Duda Santos) em um momento de reconexão. O encontro do casal simboliza a união dos dois mundos. O retorno ao reino de Batanga fecha o ciclo narrativo", afirma Luiza.
Segundo os criadores, a abertura ainda guarda pequenos segredos espalhados ao longo de suas cenas. "Temos também alguns detalhes sutis pelos quais o público vai compreender e amplificar a mensagem", complementa Chris.
Veja a abertura:




